30/Jun/2026
Instituições financeiras que operam crédito rural projetam aumento moderado dos recursos do Plano Safra 2026/27, que será anunciado pelo governo nesta terça-feira (30/06), além de redução pontual nas taxas de juros em relação à temporada 2025/26, que se encerra em 30 de junho. A expectativa de bancos privados, públicos e cooperativas é de um volume total superior a R$ 600 bilhões, em comparação aos R$ 594,4 bilhões liberados na safra atual. As estimativas indicam crescimento leve, mais próximo da alta de 1,7% observada no ciclo anterior do que do avanço de 10% solicitado por propostas do Ministério da Agricultura e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, que somavam R$ 652 bilhões em recursos.
O entendimento predominante é de que o espaço fiscal limitado deve restringir a expansão mais significativa do volume total. A avaliação do setor financeiro é de que eventuais aumentos de recursos devem ocorrer principalmente por meio de fontes livres e não equalizadas, com menor dependência de subvenção do Tesouro Nacional. Na safra atual, o volume de equalização foi de R$ 13,5 bilhões, patamar que deve ser mantido, enquanto linhas com taxas de mercado e instrumentos como crédito dolarizado e o programa Move Agrícola tendem a ganhar relevância para ampliar a oferta total. Instituições financeiras também indicam expectativa de manutenção das regras de exigibilidade, que determinam o direcionamento obrigatório de parte dos depósitos ao crédito rural.
Parte do mercado defendia flexibilização dessas exigibilidades, sob argumento de dificuldades operacionais na safra atual e impactos na alocação do crédito. No eixo de juros, a projeção é de redução entre 0,5% e 1% nas taxas médias do Plano Safra 2026/27, acompanhando o movimento recente da taxa básica de juros, que recuou de 15% para 14,25% ao ano em 12 meses. Na safra atual, as taxas variam entre 8,5% e 14% ao ano para médios e grandes produtores, enquanto a agricultura familiar opera entre 0,5% e 8% ao ano. Apesar da expectativa de redução, o setor financeiro avalia como pouco provável a retomada de taxas abaixo de dois dígitos de forma ampla, diante de restrições orçamentárias e do custo de equalização para o Tesouro Nacional
A avaliação é de que eventual tentativa de juros inferiores a 10% ao ano poderia exigir contingenciamento ao longo da safra. O setor produtivo solicitou redução mínima de 1,5% nas taxas e teto de 12,5% ao ano para grandes produtores, diante da pressão sobre custos financeiros e margens. No entanto, a percepção predominante no sistema financeiro é de que o espaço fiscal não comporta integralmente esse movimento, especialmente em um cenário de manutenção da taxa básica de juros em patamar elevado. Nesse ambiente, os bancos projetam que o Plano Safra 2026/27 terá maior concentração em crédito de custeio do que em investimento. O comportamento esperado reflete cautela dos produtores rurais, que tendem a priorizar a equalização de endividamento em detrimento de expansão de investimentos, como aquisição de máquinas e ampliação de área, em função do custo do crédito e das margens pressionadas.
A demanda por custeio, no entanto, deve permanecer firme, sustentada pela necessidade de manutenção da produção e pela perspectiva de área estável na próxima safra. Já os investimentos tendem a seguir em ritmo mais contido, em linha com a postura mais conservadora do produtor rural. Instituições financeiras também destacam elevado grau de incerteza operacional na fase inicial do novo Plano Safra, devido à necessidade de definição de taxas, limites por produtor e volume de recursos equalizados. Após a divulgação oficial, o sistema bancário ainda precisa de prazo para ajustes operacionais e adaptação de sistemas, com estimativa de disponibilidade efetiva de crédito entre dez e quinze dias após o anúncio. A avaliação é de que a demanda mais intensa por financiamento deve se concentrar entre o fim de julho e os meses de agosto e setembro, período de maior contratação para a safra de verão, o que deve permitir atendimento dentro do cronograma esperado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.