30/Jun/2026
O Itaú BBA avalia que o El Niño 2026/27 deve ser monitorado de forma mais próxima no Brasil, diante da importância crescente do país na oferta global de soja e milho e da distribuição desigual dos impactos climáticos entre as regiões produtoras. O fenômeno tende a provocar efeitos distintos no território nacional, com potencial de influência sobre produção agrícola, preços e dinâmica energética. A Região Sul do Brasil pode ser beneficiada por chuvas acima da média, condição geralmente associada à sustentação da produtividade agrícola. Em contrapartida, a Região Centro-Oeste e o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) podem enfrentar irregularidade das chuvas, ocorrência de veranicos e atrasos no plantio, fatores que elevam o risco sobre a produção de soja e milho.
No cenário-base, o Itaú BBA projeta uma safra recorde de 182,4 milhões de toneladas em 2026/27, sustentada por ganhos tecnológicos e avanços agronômicos acumulados desde 2015/16. Em cenário adverso, com quebra estimada de 6% semelhante à observada em 2023/24, cerca de 11 milhões de toneladas poderiam ser retiradas da oferta, com redução do indicador global de stocks-to-use de 28% para 25%. Esse movimento tenderia a dar suporte às cotações na Bolsa de Chicago, além de gerar impactos em empresas do agronegócio, fornecedores de insumos e no câmbio. A intensificação do El Niño deve ocorrer no quarto trimestre de 2026, coincidindo com a janela crítica de plantio da soja, o que reforça o papel do Brasil no chamado mercado global de grãos. No campo macroeconômico, o banco avalia que um cenário mais severo pode pressionar a inflação de alimentos e levar a uma política monetária mais restritiva, além de reduzir o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) ligado ao agronegócio.
No setor de energia, mesmo em eventos moderados, o Sistema Interligado Nacional (SIN) tende a registrar aumento de demanda na primavera e no início do verão, impulsionado por temperaturas mais elevadas. Padrões típicos do fenômeno incluem redução de chuvas nas Regiões Norte e Nordeste e maior volume de precipitações na Região Sul, o que afeta o equilíbrio dos recursos hídricos disponíveis para geração de energia. O estudo também indica que o El Niño pode enfraquecer gradientes de pressão que sustentam ventos alísios no Nordeste, afetando principalmente regiões costeiras e o semiárido, onde se concentram parques eólicos. Esse comportamento tende a aumentar a variabilidade dos ventos, reduzindo a previsibilidade da geração eólica e elevando desafios operacionais no balanço do sistema elétrico, com possível impacto na formação de preços de energia e maior volatilidade no segundo semestre de 2026. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.