29/Jun/2026
O governo federal ainda não definiu as taxas de juros e o volume de recursos que serão destinados ao Plano Safra 2026/27 para médios e grandes produtores, em razão de um déficit orçamentário estimado entre R$ 120 milhões e R$ 200 milhões para custear a equalização das taxas de juros do crédito rural. A indefinição ocorre às vésperas do início da nova temporada e mantém em aberto as condições finais do principal programa de financiamento da agropecuária brasileira. As discussões envolvem principalmente o Ministério da Agricultura e Pecuária e a equipe econômica. A proposta inicial da pasta previa cerca de R$ 860 milhões adicionais para viabilizar um Plano Safra com R$ 570 bilhões em financiamentos e juros de um dígito para médios e grandes produtores. Diante das restrições fiscais, a demanda foi sendo reduzida durante as negociações. O pleito passou para R$ 200 milhões e, após novas simulações técnicas, chegou ao patamar de R$ 120 milhões. Até o momento, não há definição sobre eventual suplementação ou remanejamento de recursos do Tesouro Nacional.
A equalização de juros corresponde ao pagamento realizado pelo Tesouro Nacional às instituições financeiras para cobrir a diferença entre o custo de captação dos recursos, acrescido dos custos administrativos e tributários, e a taxa efetivamente cobrada do produtor rural. Quanto menor a taxa de juros oferecida ao tomador final, maior é o custo da equalização para o governo ao longo da vigência das operações. A orientação técnica do Ministério da Agricultura é estruturar um Plano Safra que preserve o apoio ao setor produtivo sem comprometer o equilíbrio fiscal. A estratégia busca manter a sustentabilidade do crédito rural em um ambiente marcado pelo elevado endividamento dos produtores, maior seletividade das instituições financeiras na concessão de financiamentos e custos financeiros ainda elevados. As negociações envolvendo o Plano Safra da Agricultura Familiar apresentam estágio mais avançado. A expectativa é de um orçamento próximo de R$ 80 bilhões, com poucas alterações em relação ao ciclo 2025/26.
O governo avalia ajustes pontuais nas taxas de custeio destinadas à produção de alimentos para o mercado interno e às linhas de agroecologia, além de medidas para ampliar o acesso ao crédito por mulheres e jovens agricultores. As taxas de juros para a agricultura familiar deverão permanecer entre 2% e 6% ao ano. Na temporada 2025/26, o governo estimou necessidade de R$ 13,5 bilhões para equalização dos juros ao longo de toda a vida das operações. Para o novo ciclo, esse custo deverá aumentar, embora ainda não exista estimativa oficial consolidada. Como os financiamentos começam a ser contratados apenas na segunda metade do ano, o impacto orçamentário de 2026 corresponde a aproximadamente seis meses de pagamentos da equalização. A manutenção da taxa Selic em níveis elevados continua pressionando os gastos públicos destinados ao crédito rural. Desde julho de 2025, quando estava em 15% ao ano, a taxa básica de juros recuou para 14,25%, movimento considerado insuficiente para reduzir significativamente o custo da subvenção.
Atualmente, as taxas de crédito rural variam entre 8% e 14% ao ano, sendo de 10% para operações de custeio de médios produtores e de 14% para grandes produtores. O orçamento de 2026 destinado à equalização dos juros do crédito rural soma R$ 18,9 bilhões. Grande parte desses recursos é utilizada para honrar contratos firmados em anos anteriores, cujo custo aumentou em função da permanência da Selic em patamar elevado. Recentemente, o Tesouro Nacional recebeu suplementação de R$ 509,6 milhões, dos quais R$ 447,9 milhões foram destinados às operações de investimento e R$ 57,6 milhões às operações de custeio. Até o momento, aproximadamente R$ 17 bilhões desse orçamento já foram empenhados. Dos R$ 1,9 bilhão ainda disponíveis, a maior parcela será destinada ao pagamento da equalização de financiamentos já contratados. Para novas operações de investimento previstas no Plano Safra 2026/27, permanecem disponíveis cerca de R$ 380 milhões dos R$ 834,2 milhões existentes em caixa, reforçando as limitações fiscais para ampliar a oferta de crédito subsidiado. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.