29/Jun/2026
O Plano Safra 2026/2027 deve ser anunciado com volume estimado entre R$ 600 bilhões e R$ 650 bilhões, acima dos R$ 594,4 bilhões da safra atual. Apesar da expansão nominal dos recursos, representantes de produtores rurais e da indústria de máquinas agrícolas avaliam que o principal desafio do programa deixou de ser o tamanho total e passou a ser o custo do crédito e a efetiva disponibilidade de financiamento na ponta. Entidades como a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), a Associação Brasileira dos Produtores de Milho (Abramilho), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) defendem redução dos juros, ampliação da subvenção e maior eficiência na transmissão do crédito ao produtor.
O cenário de taxa Selic em 14,25% ao ano e maior seletividade dos bancos é apontado como fator de restrição ao acesso, especialmente em um ambiente de menor capacidade de pagamento do produtor rural. No segmento de máquinas agrícolas, o encarecimento do crédito tem impactado diretamente a demanda. Linhas como o Moderfrota registraram limitação na contratação de recursos, com juros de até 13,5% ao ano na safra atual. As vendas de colheitadeiras recuaram de 8 mil unidades em 2021 para 3.300 em 2025, com queda acumulada próxima de 40% em 2026, segundo dados do setor. Há também expectativa em relação à linha da Finep, anunciada com taxa de 9,5% ao ano, ainda sem regulamentação operacional. Entre os produtores, a avaliação é de que os recursos oficiais atendem parcela reduzida do custeio agrícola. No caso da soja, estima-se que pouco mais de 5% do custeio seja coberto por crédito do Plano Safra, com o restante financiado por linhas livres e operações de barter, ambas com custo mais elevado.
A demanda é por um ambiente de crédito agrícola com taxas em nível de um dígito, além de maior previsibilidade e acesso ampliado. No debate sobre subvenção, a Abramilho aponta necessidade de cobertura efetiva entre R$ 30 bilhões e R$ 35 bilhões e reforço em políticas de seguro rural e armazenagem, com estimativa de cerca de R$ 15 bilhões por ano para esta última linha. A avaliação geral é de que a estrutura atual ainda não atende plenamente a necessidade de financiamento do setor produtivo. No campo da gestão de risco, lideranças do cooperativismo agrícola reforçam a importância da manutenção e ampliação da subvenção ao seguro rural. A percepção é de que cortes no programa podem elevar custos futuros ao governo em situações de frustração de safra, devido à necessidade de adoção de medidas emergenciais mais onerosas do que o subsídio preventivo. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.