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29/Jun/2026

Cenário desafiador para o Agronegócio brasileiro

A Moody’s Brasil avalia que o agronegócio brasileiro deve seguir pressionado pela combinação de ciclo de queda dos preços das commodities agrícolas, juros elevados e incertezas regulatórias, embora alguns segmentos apresentem sustentação por fatores estruturais. No segmento de biocombustíveis, a perspectiva é neutra, com crescimento apoiado principalmente pelos mandatos de mistura previstos na Lei do Combustível do Futuro. No biodiesel, a demanda segue amparada pela obrigatoriedade de mistura ao diesel, mas a volatilidade regulatória, marcada por suspensões e atrasos na implementação das regras, reduz a previsibilidade do setor e amplia a oscilação das margens. A agência também aponta riscos relacionados ao custo e à concentração de matérias-primas, além de maior exposição ao risco de execução em projetos de expansão.

No etanol de milho, a avaliação indica expansão acelerada, porém com elevada concentração de mercado. Inpasa e FS respondem por cerca de 80% da produção nacional de etanol de milho e aproximadamente 20% da produção total de etanol no País. Apesar de menor necessidade de investimentos em manutenção em relação ao etanol de cana-de-açúcar, o segmento enfrenta volatilidade dos preços do milho e dos combustíveis, além do risco de excesso de capacidade instalada frente à demanda, com potencial pressão sobre preços e margens. Para o açúcar e o etanol de cana-de-açúcar, o cenário é considerado desafiador, com impacto da queda dos preços internacionais do açúcar, juros elevados e riscos climáticos e geopolíticos. Esses fatores reduzem a geração de caixa das companhias, especialmente das mais alavancadas.

Apesar das vantagens competitivas do Brasil em escala, produtividade e condições climáticas, o setor depende de elevada eficiência de custos para sustentar competitividade, diante de necessidades recorrentes de investimento em manutenção. O relatório também chama atenção para o endividamento concentrado no curto prazo e para a alta volatilidade estrutural associada ao risco climático. No segmento de grãos, o ambiente também é desafiador, mesmo com a liderança do Brasil na produção e exportação global de soja e sua relevância entre os maiores produtores e exportadores de milho. O ciclo de baixa nos preços das commodities pressiona a cadeia produtiva, enquanto o aumento da inadimplência no campo, combinado ao crédito mais caro e restritivo, limita investimentos e reduz a flexibilidade financeira dos produtores. Riscos geopolíticos elevam custos de insumos como fertilizantes e fretes, enquanto fatores climáticos seguem como elemento estrutural de volatilidade na produção agrícola.

Na pecuária de corte, a perspectiva é neutra. Destaque para o bom desempenho das exportações de carne bovina no primeiro semestre de 2026 e a resiliência do consumo interno, mas aponta desafios no segundo semestre. Entre eles está o limite de 1,1 milhão de toneladas imposto pela China para importações de carne bovina brasileira, cuja utilização deve se esgotar até o fim de julho, segundo estimativas do setor. Além disso, há expectativa de perda de acesso ao mercado da União Europeia a partir de setembro de 2026, o que reduziria alternativas de maior valor agregado. A agência avalia que a diversificação de mercados pode mitigar parte dos impactos, mas recomenda atenção à evolução dos preços do gado, em um contexto de ciclo pecuário indicando contração marginal da oferta. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.