26/Jun/2026
O Plano Safra 2026/27, cuja divulgação está prevista para a próxima semana, deve ser lançado sem medidas relacionadas ao seguro rural e à renegociação das dívidas do setor agropecuário. A decisão reflete restrições orçamentárias e divergências internas entre a equipe econômica e a área agrícola do governo quanto ao tratamento das políticas de apoio ao setor. A ausência desses anúncios ocorre em meio a discussões sobre o impacto fiscal das medidas e à avaliação de que a incorporação simultânea de diferentes instrumentos poderia dificultar a análise de custos e comprometer o controle das contas públicas. A equipe econômica defende que as medidas sejam tratadas de forma separada do Plano Safra.
No caso do seguro rural, o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR) teve o orçamento do ano reduzido em R$ 56,3 milhões nesta semana e já havia sido contingenciado em R$ 461,696 milhões na semana anterior. A avaliação técnica é de que não há espaço fiscal para ampliação das despesas, e uma eventual suplementação está descartada no curto prazo. Tradicionalmente, o governo anunciava junto ao Plano Safra os valores destinados à subvenção do seguro rural para a safra vigente. No entanto, essa prática tem sido reduzida no atual ciclo, com a vinculação das projeções ao orçamento anual e maior restrição na divulgação de estimativas de subsídios.
Em relação ao endividamento do setor, a área agrícola defende a necessidade de medidas de reestruturação como condição para a efetividade do crédito rural, diante do aumento das dificuldades de pagamento por parte de parte dos produtores. A avaliação é de que a ampliação de recursos sem solução para o passivo pode limitar o acesso ao financiamento. A equipe econômica avalia alternativas como eventual medida provisória e ajustes em projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados, mas ainda não há definição sobre o formato de uma solução para o endividamento rural.
Outro ponto em discussão é a criação de um fundo garantidor para operações de crédito rural, considerado importante para ampliar a concessão de financiamentos em um cenário de maior seletividade por parte dos bancos e redução das garantias disponíveis dos produtores. A implementação, no entanto, exigiria aporte de recursos do Tesouro Nacional, o que adiciona restrições ao espaço fiscal e ao desenho final do Plano Safra. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.