26/Jun/2026
O Ministério das Relações Exteriores (MRE) reagiu às críticas sobre a ausência de representantes do governo brasileiro na audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), prevista para 6 de julho, que discutirá a adoção de novas tarifas sobre produtos brasileiros. Em manifestação pública, a Pasta afirmou que a origem das medidas tarifárias está associada a tentativas de interferência externa em assuntos relacionados à Justiça brasileira. Segundo o Itamaraty, as audiências públicas conduzidas no âmbito da Seção 301 da legislação comercial norte-americana são tradicionalmente destinadas à participação do setor privado e da sociedade civil, não sendo prática comum o envio de representantes governamentais. Países como China e integrantes da União Europeia também não costumam participar diretamente desses encontros.
O governo brasileiro acompanha formalmente a investigação conduzida pelos Estados Unidos desde sua abertura, em 15 de julho de 2025, por meio dos canais oficiais de interlocução entre os dois governos. Foram apresentadas duas manifestações técnicas por escrito defendendo que as políticas adotadas pelo Brasil não provocam prejuízos ao comércio bilateral. Além disso, foi realizada uma rodada de consultas governamentais em Washington com participação de uma delegação brasileira de alto nível. O posicionamento foi divulgado após manifestações do senador Flávio Bolsonaro, que confirmou sua inscrição para participar da audiência nos Estados Unidos com direito a um pronunciamento oral de cinco minutos. O parlamentar criticou a ausência de representantes do governo federal no evento e atribuiu a decisão à falta de atuação do Executivo na defesa dos interesses comerciais brasileiros. O debate ocorre em meio ao avanço de propostas tarifárias apresentadas pelo USTR.
No início deste mês, o órgão norte-americano sugeriu a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, alegando supostas práticas comerciais consideradas desleais e citando temas como o sistema de pagamentos Pix e questões relacionadas ao desmatamento. Paralelamente, foi proposta uma tarifa de 12,5% aplicável a cerca de 60 países e à União Europeia, vinculada a preocupações relacionadas à circulação de produtos associados ao uso de trabalho forçado. As discussões ampliam a atenção do governo brasileiro e do setor produtivo em relação aos possíveis impactos sobre as exportações nacionais, especialmente em segmentos com forte dependência do mercado norte-americano. O andamento das investigações e das audiências públicas poderá influenciar as decisões finais sobre a implementação das medidas tarifárias e seus reflexos sobre o comércio bilateral. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.