26/Jun/2026
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) revisou os critérios do regime de taxonomia verde adotado desde 2013, com o objetivo de ampliar o nível de detalhamento na classificação de operações de crédito associadas à sustentabilidade. O novo modelo deve ser lançado nas próximas semanas e busca aprimorar a mensuração do direcionamento de recursos do sistema financeiro para atividades consideradas ambientalmente sustentáveis. A taxonomia verde funciona como um sistema de classificação que permite aos bancos identificar e mensurar o volume de crédito direcionado a setores da economia verde, além de avaliar a exposição a riscos ambientais e climáticos. A metodologia passa por atualização para incorporar parâmetros mais granulares e alinhamento com estruturas mais amplas de classificação recentemente adotadas em nível governamental.
Atualmente, o modelo utiliza critérios baseados principalmente no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) das empresas, sem aprofundamento por projeto ou atividade específica. Com a revisão, a avaliação passa a considerar características mais detalhadas das operações, permitindo uma análise mais precisa do impacto ambiental das linhas de crédito. Cerca de um terço das carteiras de crédito do sistema bancário está atualmente direcionado a setores classificados como parte da economia verde. O aprimoramento da metodologia busca ampliar a capacidade de monitoramento e qualificação desses fluxos financeiros. Um dos principais desafios apontados pelo setor está relacionado à disponibilidade e à qualidade dos dados ambientais. A avaliação é de que a ausência de informações completas e validadas pelo Estado limita a precisão das análises.
O Cadastro Ambiental Rural (CAR) é utilizado como referência para evitar financiamento de áreas com embargos ambientais ou sobreposição com terras indígenas, mas ainda apresenta fragmentação e defasagem de atualização. Além da revisão da taxonomia, a Febraban prepara a divulgação de um novo padrão de cálculo para emissões de carbono de clientes do sistema financeiro. A proposta é adaptar metodologias internacionais à realidade brasileira, com o objetivo de uniformizar métricas e ampliar a comparabilidade dos dados utilizados na gestão de risco climático e ambiental. O conjunto das iniciativas reforça a tendência de maior integração entre o sistema financeiro e critérios de sustentabilidade, ao mesmo tempo em que evidencia os desafios estruturais relacionados à disponibilidade de dados e à padronização das informações ambientais no País. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.