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25/Jun/2026

El Niño poderá ampliar os riscos ao crédito rural

A perspectiva de um episódio de El Niño de maior intensidade entre o fim de 2026 e o início de 2027 aumenta as preocupações em relação ao crédito rural e à recuperação financeira do agronegócio brasileiro. Projeções meteorológicas indicam possibilidade de chuvas acima da média na Região Sul e períodos de seca mais severos nas Regiões Norte e Nordeste, cenário que pode comprometer a produtividade agrícola, reduzir margens dos produtores e dificultar a capacidade de pagamento das dívidas da safra 2026/2027. O fenômeno climático surge em um ambiente já marcado por desafios para o setor agropecuário, que enfrenta os efeitos combinados de juros elevados, aumento do endividamento e eventos climáticos extremos registrados nos últimos ciclos produtivos. Dados do Banco Central mostram que a inadimplência da carteira de recursos direcionados ao segmento rural atingiu 7,4% em abril de 2026, avanço de 4,2% em relação ao mesmo período de 2025.

Embora os impactos mais significativos do El Niño devam aparecer nos balanços das instituições financeiras apenas nos próximos meses, os bancos já passaram a incorporar um cenário mais conservador para o agronegócio. Em relatório recente, o Banco do Brasil destacou a elevada probabilidade de ocorrência de um evento climático de forte intensidade entre o final de 2026 e o início de 2027. A instituição revisou suas projeções para a atividade agropecuária e passou a estimar retração de 0,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do setor em 2026. Como principal financiador do agronegócio brasileiro, o Banco do Brasil apresenta elevada exposição ao desempenho da atividade rural e aos impactos indiretos de condições climáticas adversas. Em março, a inadimplência da carteira rural do banco alcançou 6,22% pelo critério de operações com atraso superior a 90 dias.

Como consequência, a instituição ampliou em 86% suas provisões líquidas para devedores duvidosos (PDD), que atingiram R$ 18,9 bilhões. No início do ano, o Banco do Brasil trabalhava com a expectativa de melhora gradual da carteira rural durante o segundo semestre, após renegociar quase R$ 40 bilhões em dívidas por meio do programa Regulariza Agro. As operações renegociadas passaram a contar com mecanismos adicionais de fortalecimento das garantias. No entanto, a combinação de fatores geopolíticos e o aumento do risco climático pode prolongar o período necessário para a recuperação da qualidade dos ativos ligados ao setor agropecuário. Entre as culturas potencialmente mais afetadas por um evento climático severo estão soja e milho, segmentos que concentram parcela relevante da carteira rural da instituição.

Diante desse cenário, cresce a possibilidade de revisão das projeções financeiras e operacionais para refletir os novos riscos associados à produção agrícola. Paralelamente, o Banco do Brasil avalia a possibilidade de ampliar suas metas ligadas à agenda de sustentabilidade. A instituição encerrou o primeiro trimestre com carteira de sociobioeconomia de R$ 3,1 bilhões, aproximando-se do objetivo de alcançar R$ 5 bilhões até 2030 em operações voltadas ao financiamento de atividades baseadas no uso sustentável dos recursos naturais. A meta integra um plano mais amplo de expansão do crédito sustentável, cuja carteira totalizou R$ 421,2 bilhões em março. O objetivo atual é atingir R$ 500 bilhões até o final da década, embora a instituição avalie a possibilidade de revisar esse patamar diante do avanço das operações voltadas à sustentabilidade. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.