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25/Jun/2026

El Niño intenso pode elevar inflação dos alimentos

Segundo o Santander, a ocorrência de um episódio forte ou muito forte de El Niño pode gerar pressão relevante sobre os preços dos alimentos em 2026 e 2027, mantendo um viés de alta para a inflação no período. Os impactos do fenômeno climático sobre a agricultura e a inflação dependem da intensidade do evento e dos efeitos específicos observados em cada região produtora. A relação entre El Niño e inflação não é linear nem uniforme. Em um cenário de maior intensidade, os efeitos podem provocar elevação dos preços dos alimentos ao longo de 2026 e 2027, seguida de uma reversão gradual a partir do segundo semestre de 2027 e durante 2028, desde que o fenômeno tenha duração limitada. A análise considerou o comportamento de seis importantes commodities agrícolas (soja, milho, trigo, algodão, açúcar e café) durante episódios anteriores de El Niño.

Os estudos apontam que o aumento das chuvas na Argentina e na Região Sul do Brasil tende a favorecer a produtividade de soja e milho nessas áreas, enquanto a Região Centro-Oeste normalmente enfrenta condições menos favoráveis. O levantamento destaca que os efeitos sobre a produtividade agrícola variam conforme a cultura e a região analisadas. Em alguns casos, indicadores nacionais podem mascarar impactos regionais distintos. Além disso, determinadas culturas podem responder ao fenômeno por meio da redução da área plantada, e não necessariamente pela queda da produtividade. No caso do café, o ciclo bienal de produção também influencia significativamente os resultados observados. Fatores externos ao clima podem interferir na produtividade agrícola. Entre eles estão os custos de produção, especialmente fertilizantes.

A elevação dos preços desses insumos, como ocorreu durante a crise global de oferta em 2022, pode levar produtores a reduzir a aplicação de nutrientes e aceitar produtividades menores, independentemente das condições meteorológicas. A conclusão é que eventos fortes do fenômeno El Niño-Oscilação Sul (ENSO) tendem a ampliar a volatilidade dos mercados de commodities agrícolas, sem necessariamente produzir uma tendência uniforme para os preços globais. A análise histórica também avaliou a relação entre episódios de El Niño e a inflação brasileira. O estudo cita o evento de 2002-2003, que ocorreu após a crise hídrica de 2001-2002 e coincidiu com um ambiente macroeconômico adverso. Nesse período, parte relevante da pressão inflacionária esteve associada ao câmbio, às condições econômicas e aos efeitos remanescentes da crise energética, dificultando o isolamento dos impactos exclusivamente climáticos.

No caso da energia elétrica, o banco afirma que não há evidências consistentes de correlação entre episódios de El Niño e os níveis dos reservatórios brasileiros. Alguns eventos foram acompanhados por melhora das condições hídricas, enquanto outros coincidiram com deterioração dos estoques de água, sem padrão uniforme relacionado à intensidade do fenômeno. Na inflação de alimentos, a influência do El Niño é considerada mais evidente, principalmente nos produtos in natura. A avaliação dos componentes de alimentação no domicílio do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) mostra que os alimentos mais sensíveis às condições climáticas de curto prazo costumam apresentar maior impacto após o início do fenômeno. A análise histórica dos episódios registrados desde 2000 indica que a inflação de alimentação no domicílio não acelera de forma consistente em todos os eventos de El Niño.

Alguns episódios apresentaram efeitos temporários, enquanto outros geraram impactos mais persistentes. Em contrapartida, os alimentos in natura registraram pressão altista na maioria dos eventos analisados, reforçando a importância desse canal de transmissão para a inflação. O El Niño, isoladamente, não necessariamente provoca impacto direto relevante sobre o IPCA agregado. Contudo, um evento de forte intensidade pode gerar pressão significativa sobre os preços dos alimentos, sobretudo por meio dos produtos in natura. O cenário-base já contempla aumento expressivo da inflação de alimentação no domicílio. A projeção indica que o indicador deverá atingir seu pico em fevereiro de 2027, acumulando quase 5% acima do nível projetado para agosto de 2026, o equivalente a aproximadamente 0,75% no IPCA. Após esse período, a tendência é de moderação, embora os alimentos ainda adicionem cerca de 0,40% à inflação ao longo de 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.