24/Jun/2026
O dólar encerrou o pregão desta terça-feira (23/06) em alta frente ao Real, em um ambiente marcado por maior aversão ao risco nos mercados globais e expectativas em torno da política monetária dos Estados Unidos. A moeda norte-americana foi sustentada pelo movimento de queda em ativos de tecnologia e pela cautela dos investidores antes da divulgação de novos dados de inflação norte-americanos, que podem reforçar apostas de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano). O dólar subiu 0,89% e fechou a R$ 5,18, após atingir máxima de R$ 5,19 ao longo da sessão. Trata-se do maior nível de encerramento desde 30 de março.
Em junho, a moeda acumula alta de 2,87%, após avanço de 1,82% no mês anterior. No ano, o Real ainda apresenta valorização acumulada de 5,49%, embora tenha reduzido ganhos após ter superado dois dígitos de queda no início de maio. O movimento externo foi reforçado pelo desempenho do índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, com alta superior a 0,30% e níveis acima de 101 pontos, patamar mais elevado em mais de um ano. O avanço foi acompanhado por fraqueza do euro, impactado por dados abaixo do esperado dos índices de gerentes de compras (PMI) na Europa. Nos Estados Unidos, o PMI composto subiu de 51,5 em maio para 52,2 em junho, acima das expectativas de desaceleração, indicando maior resiliência da atividade econômica.
O dado reforça a percepção de que o Federal Reserve pode manter uma postura mais restritiva por mais tempo, especialmente às vésperas da divulgação do índice de preços de gastos com consumo (PCE), referência central para a inflação norte-americana. No campo doméstico, a divulgação da ata do Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu parte das incertezas geradas pelo comunicado anterior, mas manteve leitura de maior volatilidade e de indefinição sobre a trajetória da Selic. O diferencial de juros segue elevado, embora com menor atratividade para estratégias de carry trade em função do aumento da oscilação cambial.
Outro fator de pressão sobre o Real foi o comportamento das commodities, em especial o petróleo. O Brent recuou 0,93%, cotado a US$ 76,80 por barril, acumulando queda superior a 15% em junho. A fraqueza da commodity reduz o suporte ao Real, considerando o perfil exportador do Brasil no setor energético. O cenário global também foi influenciado por dados econômicos mistos e maior percepção de risco, com destaque para sinais de desaceleração na Europa e atividade mais forte nos Estados Unidos. O ambiente mantém pressão sobre moedas emergentes, enquanto investidores ajustam posições diante da expectativa de juros elevados por período prolongado. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.