24/Jun/2026
A Aprosoja Brasil defende que o Plano Safra 2026/27, com anúncio previsto para 1º de julho, contemple crédito agrícola com taxa de juros de um dígito, criação de um fundo garantidor nacional e garantia de recursos para produtores com restrição de financiamento para viabilizar o plantio da próxima safra. A avaliação da entidade é de que o crédito oficial atualmente cobre apenas uma fração do custeio da soja, enquanto a maior parte do financiamento depende de linhas livres, operações de barter e estruturas privadas de crédito. A entidade aponta que o crédito com juros mais baixos deve alcançar produtores de todos os portes. O cenário atual indica que o Plano Safra responde por pouco mais de 5% do custeio da soja no país, enquanto o restante é composto por financiamento de mercado, revendas e instrumentos privados.
Em Mato Grosso, dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indicam que o sistema financeiro privado responde por 35,4% do financiamento da soja, seguido por multinacionais com 30,7% e recursos próprios dos produtores com 23,5%, enquanto o crédito rural oficial representa 5,1%. No campo macroeconômico, o governo trabalha na estruturação do Plano Safra 2026/27, com estimativas de volume total entre R$ 600 bilhões e R$ 650 bilhões, acima dos R$ 594,4 bilhões da safra atual. O debate central envolve a distribuição de recursos para agricultura empresarial e o espaço fiscal para equalização de juros via Tesouro Nacional. A entidade também defende que a redução das taxas públicas funcione como referência para o mercado privado, influenciando o custo do crédito como um todo. Além disso, reforça a necessidade de um fundo garantidor nacional para ampliar o acesso ao financiamento em um contexto de maior cautela de bancos, tradings e revendas.
No acumulado de julho de 2025 a abril de 2026, as concessões de crédito rural recuaram 11%, passando de R$ 258,2 bilhões para R$ 229,4 bilhões, com queda de 12% no custeio, 25% no investimento e 20% na comercialização. O aumento da restrição financeira é mais intenso entre produtores com dívidas vencidas ou renegociadas. Em abril, a carteira ativa de crédito rural no país somava R$ 895,18 bilhões, sendo R$ 186,52 bilhões classificados como saldo problemático. Em Mato Grosso, esse montante atingiu R$ 21,78 bilhões dentro de uma carteira total de R$ 108,03 bilhões. A Aprosoja também solicitou ao governo federal uma linha suplementar por hectare para apoiar produtores com dificuldades de financiamento na safra 2026/27. O pleito foi apresentado ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, durante agenda relacionada à inauguração da extensão da Ferronorte em Dom Aquino (MT). Paralelamente, a entidade defende a aprovação do Projeto de Lei nº 5.122/2023, que trata da renegociação e alongamento de dívidas rurais, além da suspensão temporária por 90 dias de execuções e cobranças como forma de evitar restrições adicionais ao crédito no curto prazo.
No campo de custos, o cenário para a próxima safra indica aumento das despesas. O custeio da soja em Mato Grosso para 2026/27 é estimado em R$ 4.315,29 por hectare, alta de 3,21%, segundo o Imea, com avanço de 5,40% em fertilizantes e corretivos e cerca de 11% em defensivos. O ponto de equilíbrio da atividade também sobe 9,13%, elevando a necessidade de maior produtividade ou preços mais favoráveis para manutenção da rentabilidade. Em relação ao clima, ainda há divergências sobre a formação de um possível El Niño, com maior clareza esperada nos próximos dois meses, antes do início do plantio. A avaliação é de que, caso o fenômeno se confirme, pode haver impacto sobre a oferta global de alimentos e pressão adicional sobre preços, com potencial viés inflacionário. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.