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23/Jun/2026

Plano Safra 2026/2027: estimativa para os recursos

Na reta final das negociações do Plano Safra 2026/27, que deve ser lançado em 1º de julho, o valor total do programa segue indefinido. A expectativa é a de que o valor ofertado pelo governo federal fique entre R$ 600 bilhões e R$ 650 bilhões para o financiamento de pequenos, médios e grandes produtores no próximo ciclo ante os R$ 594,4 bilhões ofertados na safra atual. Os pedidos apresentados pelo Ministério da Agricultura e pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar somam R$ 652 bilhões em recursos com juros abaixo de um dígito. Os números serão fechados à medida que forem "acomodados" no orçamento.

Técnicos da equipe econômica e da equipe agrícola buscam "espaço fiscal" para ampliação dos recursos do Plano Safra combinada à redução dos juros aplicados nas linhas de crédito. Até o momento, a maior divergência está entre o valor pedido pelo Ministério da Agricultura para agricultura empresarial e a proposta do Ministério da Fazenda. A maior discrepância deve-se aos números expressivos que envolvem o financiamento da agricultura empresarial e o desalinhamento quanto ao orçamento disponível para subsidiar juros. O Ministério da Agricultura pede R$ 570 bilhões em recursos incluindo Cédulas de Produto Rural (CPRs) e redução de juros entre 2,5% e 4%.

Mas, o Ministério da Agricultura pode abrir mão de um aumento maior de recursos para um incremento pontual em volume com redução de juros. Há consenso de que os juros atuais são impraticáveis e há prioridade para a redução, principalmente para custeio da safra. O valor destinado à agricultura familiar deve ficar próximo ao solicitado pela Pasta. O MDA pediu R$ 82 bilhões em recursos para financiamentos, 5% mais que na safra atual, e manutenção de juros entre 0,5% e 6% ao ano. O Tesouro ainda calcula a disponibilidade orçamentária disponível para equalização das taxas de juros. A grande preocupação é com o custo da subvenção neste ano, pois o orçamento está muito justo.

A dúvida é com impacto no resultado primário deste ano. A maior fatia de subvenção é gasta no segundo semestre do ano, equivalente ao primeiro semestre do Plano Safra, em virtude dos financiamentos para custeio e investimento nas culturas de verão. Dada a limitação de recursos equalizados, o incremento de recursos do Plano Safra deve vir sobretudo de recursos livres, embora que ainda moderado. O Banco Central está conservador nas projeções de fundings e exigibilidades. Nesta semana, estão previstas novas reuniões entre as equipes técnicas e os ministérios envolvidos. O presidente Lula certamente ainda vai arbitrar na proposta final dada a importância do Plano Safra. Havendo impacto sobre primário, a palavra final é do presidente. Haverá aumento de recursos, a dúvida é de qual magnitude será.

No Plano Safra 2025/26, o governo ofereceu R$ 78,2 bilhões para a agricultura familiar com juros de 0,5% a 6% ao ano, R$ 69,1 bilhões para médios produtores por meio do Pronamp, R$ 258,6 bilhões em recursos para demais produtores e cooperativas e R$ 188,5 bilhões de CPRs originadas de recursos com direcionamento obrigatório para demais produtores. Somando médios e grandes produtores, foram ofertados R$ 516,2 bilhões para a agricultura empresarial, incluindo as CPRs direcionadas, com juros entre 8,5% e 14% ao ano. Ao todo, o valor ofertado na safra é de R$ 594,4 bilhões. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.