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23/Jun/2026

Mudanças climáticas pressionam setor de seguros

A intensificação dos eventos climáticos extremos tem ampliado a preocupação do mercado segurador com a baixa penetração de seguros no Brasil, evidenciando a vulnerabilidade econômica de famílias, empresas e governos diante de desastres naturais. As enchentes registradas no Rio Grande do Sul entre abril e maio de 2024 reforçaram a dimensão do desafio e impulsionaram discussões sobre novos mecanismos de proteção financeira para eventos climáticos de grande magnitude. Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) indicam que, até setembro de 2024, as indenizações pagas pelo setor segurador nas áreas afetadas pelas enchentes somaram R$ 6 bilhões, enquanto as perdas econômicas estimadas alcançaram R$ 88,9 bilhões. O cenário evidenciou a reduzida cobertura securitária diante de um dos maiores desastres climáticos já registrados no País. Estudo elaborado pela Confederação Nacional das Seguradoras (CNSeg) em parceria com a Ernst & Young aponta que o Brasil acumulou R$ 184 bilhões em prejuízos decorrentes de 67 eventos climáticos significativos entre 2022 e 2024.

Desse total, apenas 9% das perdas estavam protegidas por apólices de seguros, demonstrando a ampla exposição da economia nacional aos riscos associados às mudanças climáticas. O tema ganhou relevância nas discussões internacionais do setor. Ao longo da London Climate Week, realizada no Reino Unido, representantes do mercado segurador participam de debates voltados ao fortalecimento da resiliência climática, à adaptação de cidades e instituições e ao desenvolvimento de instrumentos financeiros capazes de reduzir os impactos econômicos de eventos extremos. As discussões também integram a preparação de compromissos que deverão ser apresentados durante a Conferência das Partes (COP), programada para novembro de 2026, na Turquia. A CNSeg avalia que o setor segurador possui papel estratégico na agenda de adaptação climática em razão da capacidade técnica de modelar riscos, construir cenários futuros e desenvolver mecanismos de proteção financeira.

Nesse contexto, cresce a defesa da integração entre informações produzidas pelas seguradoras e políticas públicas voltadas à prevenção e mitigação dos impactos climáticos. Entre as propostas em análise está a criação de um seguro social destinado a famílias afetadas por eventos como enchentes e deslizamentos. O modelo prevê indenizações emergenciais de aproximadamente R$ 5 mil por ocorrência, financiadas por uma contribuição mensal entre R$ 2,00 e R$ 3,00 incluída em contas de serviços públicos, com isenção para beneficiários de programas sociais. Paralelamente, a Susep conduz discussões com representantes do mercado sobre a estruturação de um seguro catástrofe voltado à cobertura de eventos extremos com elevado impacto financeiro. Um grupo de trabalho dedicado ao tema vem avaliando alternativas para ampliar os mecanismos de proteção contra perdas provocadas por fenômenos climáticos severos, com expectativa de divulgação de um relatório técnico nas próximas semanas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.