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23/Jun/2026

Oriente Médio: divergências na negociação EUA-Irã

As negociações entre Estados Unidos e Irã registraram avanços durante encontros realizados na Suíça. Um dos principais resultados anunciados foi o compromisso iraniano de permitir a retomada das inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), medida considerada relevante para a construção de um acordo mais amplo entre as partes. De acordo com o governo dos Estados Unidos, os entendimentos alcançados ao longo do fim de semana estabeleceram bases para a continuidade das negociações, embora questões importantes permaneçam em discussão. As inspeções da AIEA deverão ser retomadas ainda nos próximos dias, fortalecendo os mecanismos de monitoramento do programa nuclear iraniano.

As conversas ocorreram em um ambiente de elevada tensão geopolítica, marcado por declarações de pressão e por preocupações relacionadas à segurança regional. Apesar disso, representantes norte-americanos avaliaram que os contatos produziram resultados concretos e permitiram avanços nas tratativas diplomáticas. As negociações se estenderam por várias horas e enfrentaram momentos de instabilidade, incluindo ameaças de interrupção por parte da delegação iraniana. Ainda assim, os diálogos foram mantidos e resultaram em progressos considerados relevantes para a continuidade do processo. Outro tema discutido foi a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio internacional de energia.

Autoridades norte-americanas afirmaram que a passagem permanece aberta e que continuam os esforços para garantir a normalidade do tráfego marítimo na região, responsável pelo escoamento de parcela significativa do petróleo comercializado globalmente. Os Estados Unidos também defenderam a busca por um cessar-fogo regional e a ampliação da coordenação diplomática entre os países envolvidos nos conflitos do Oriente Médio. O objetivo é reduzir os riscos de escalada militar e criar condições para a consolidação de acordos que contribuam para a estabilidade política e econômica da região. No domingo (21/06), o governo dos Estados Unidos voltou a elevar o tom em relação ao Irã, ao indicar a possibilidade de novas ações militares caso grupos aliados do Irã no Líbano ampliem atividades consideradas desestabilizadoras na região.

Além das advertências relacionadas à atuação de grupos aliados do Irã, autoridades norte-americanas também indicaram preocupação com a possibilidade de interrupções no tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz. O governo norte-americano avalia diferentes cenários para garantir a segurança da navegação na região. Qualquer restrição ao tráfego no Estreito de Ormuz pode influenciar diretamente a oferta mundial de energia e aumentar a volatilidade dos mercados de commodities. Segundo a agência de notícias estatal do Irã (IRNA), as negociações entre Estados Unidos e Irã "entraram em uma fase difícil", após a declaração "insultante" do presidente norte-americano, Donald Trump. Trump fez múltiplos avisos provocativos ao Irã no domingo (21/06), incluindo a ameaça de "atingir o Irã muito fortemente novamente".

A delegação de negociação do Irã voltou para O Irã nesta segunda-feira (22/06), depois de uma viagem de dois dias à Suíça para negociar o acordo de paz com os Estados Unidos. Um porta-voz reiterou à Tasnim que o propósito das conversas era dar continuidade ao memorando de entendimento de Islamabad, principalmente o cessar-fogo em todas as frentes, incluindo o Líbano, e a liberação de ativos iranianos. Não houve confirmação da equipe sobre permissão para a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) supervisionar e inspecionar o programa nuclear do Irã. A Tasnim, controlada pela Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), lembra que não há uma cláusula sobre isso no memorando e defende que o Irã não assuma responsabilidades além do acordado, submetendo a presença de inspetores da AIEA a um acordo final. "Um acordo que dificilmente será alcançado considerando a experiência da América", critica, em artigo.

"Se a ambiguidade nuclear colapsar com a ajuda desses inspetores no Irã e os Estados Unidos obtiverem mais informações, isso só beneficiará o inimigo", diz o veículo. "A AIEA não pôde prevenir o bombardeio de usinas nucleares pacíficas do Irã pelos Estados Unidos e nem mesmo condenar os ataques. A entrada de inspetores e a tentativa de completar a espionagem norte-americana seria um 'erro adicional'". As informações emitidas pela Tasnim contradizem declarações anteriores do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, e do secretário do Tesouro, Scott Bessent. Segundo eles, o Irã teria concordado em retomar inspeções da AIEA em suas usinas nucleares, motivo citado, inclusive, na concessão norte-americana de autorização para vendas de petróleo pelo Irã. Ainda, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, enfatizou que a interação do país com a AIEA continuará de acordo com os procedimentos atuais, em resposta a questionamentos da IRNA.

Segundo ele, a interação continuará em conformidade com aprovações da Assembleia Consultiva Islâmica e as decisões do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã. Autoridades familiarizadas com a negociação entre Estados Unidos e Irã na Suíça disseram à IRNA que o país persa não discutiu o dossiê nuclear durante as 18 horas de reuniões ou aceitou novos compromissos. O comentário do norte-americano é "falso" e "não houve qualquer discussão sobre inspetores estarem presentes no país durante as conversas na Suíça". A possível parceria com a AIEA foi amplamente criticada pela Tasnim. Por outro lado, o Tesouro dos Estados Unidos mencionou positivamente as supostas inspeções de usinas nucleares iranianas pela AIEA, citando como um dos motivos para liberação das vendas de petróleo persa por 60 dias.

Em paralelo, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyyed Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, viajaram para Omã nesta segunda-feira (22/06), com objetivo de discutir cooperação bilateral e o gerenciamento do Estreito de Ormuz. Nesta terça-feira (23/06), o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também deve dar início a uma viagem para encontrar países aliados do Golfo, entre eles Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. À ISNA, o premiê e ministro das Relações Exteriores do Catar, Mohammed bin Abdulrahman Al Thani, disse que negociações técnicas entre times do Irã e dos Estados Unidos continuam a acontecer, mesmo após o retorno da delegação iraniana à Teerã. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta segunda-feira (22/06) que o Irã aceitará inspeções abrangentes em seu programa nuclear para assegurar a chamada "honestidade nuclear" no longo prazo.

Em publicação na Truth Social, Trump escreveu que "todos estão plenamente cientes de que o Irã concordará com grandes inspeções de armas para garantir a 'honestidade nuclear' por muito tempo no futuro". A declaração reforça o discurso do governo norte-americano de que houve avanços nas conversas realizadas no fim de semana na Suíça. As declarações, no entanto, foram contestadas por veículos da mídia estatal iraniana. A agência Tasnim, ligada à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) informou que não houve confirmação de autorização para inspeções da AIEA e argumentou que qualquer retomada das atividades de fiscalização deveria fazer parte de um acordo final entre as partes. Segundo a imprensa iraniana, as negociações na Suíça tiveram como foco a implementação do memorando de entendimento de Islamabad, incluindo a manutenção do cessar-fogo regional e a liberação de ativos iranianos.

Ainda, uma fonte iraniana próxima às negociações afirmou à Tasnim que a alegação de que os fundos bloqueados do Irã foram utilizados para a compra de grãos "não corresponde à realidade" e não foi mencionada em nenhum acordo. A principal razão para tais declarações por parte dos norte-americanos são questões de política interna. “Parece que o lado norte-americano divulga tais notícias para ofuscar a isenções de sanções para a venda de petróleo e seus derivados”, acrescentou. Também fazendo referência à licença geral para venda de produtos petroquímicos por 60 dias, o chefe da Comissão de Energia da Câmara de Comércio do Irã afirmou à ISNA que os efeitos práticos da decisão não serão visíveis no curto prazo, mas que a redução das restrições às vendas de petróleo e a possibilidade de fornecimento a preços mais próximos da taxa real podem afetar as equações do mercado e a economia iraniana "nos próximos meses". Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.