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22/Jun/2026

Seguro Rural: setor pressiona por reversão de corte

Representantes do mercado segurador intensificam articulações junto ao governo federal e ao Congresso Nacional para tentar reverter o bloqueio de recursos do Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR). O setor considera a liberação das verbas essencial para evitar nova redução da área agrícola segurada e preservar o acesso dos produtores à proteção contra riscos climáticos e produtivos. Em 2026, o Ministério da Agricultura bloqueou R$ 461,7 milhões do PSR, de um orçamento originalmente superior a R$ 1 bilhão. Com isso, os recursos disponíveis foram reduzidos para aproximadamente R$ 638 milhões, dos quais R$ 100 milhões já foram empenhados. Segundo estimativas da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o saldo remanescente poderá ser insuficiente para atender à demanda das apólices já contratadas ou em fase de contratação. A avaliação do setor é que, sem a recomposição dos recursos, as seguradoras serão obrigadas a comercializar apólices sem o subsídio governamental, elevando os custos para os produtores rurais.

A preocupação é ampliada pelo cenário climático projetado para os próximos meses, marcado pelo risco de um evento de El Niño mais intenso, com potencial de provocar excesso de chuvas na Região Sul e estiagens nas Regiões Norte e Nordeste. O ambiente de maior risco climático ocorre em um momento de retração do mercado. A Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) projeta queda de 3,9% na arrecadação do seguro rural em 2026, após recuo de 8,8% registrado no ano anterior. A redução da cobertura preocupa o setor diante da crescente exposição da atividade agropecuária a eventos climáticos extremos. Além das negociações junto ao Ministério da Agricultura, a FenSeg defende a aprovação de projeto de lei que busca impedir futuros contingenciamentos dos recursos destinados ao PSR. A proposta prevê a transformação da despesa com subvenção ao seguro rural em gasto obrigatório, reduzindo a possibilidade de bloqueios orçamentários.

O texto também contempla mecanismos para incentivo à contratação do seguro e a regulamentação de um fundo de catástrofe voltado à cobertura complementar de perdas decorrentes de eventos climáticos severos. O setor avalia que a combinação entre recursos estáveis para o PSR, funcionamento do fundo de catástrofe e integração com políticas de crédito rural poderia fortalecer a gestão de riscos no agronegócio brasileiro. A expectativa é substituir medidas emergenciais de renegociação de dívidas por instrumentos preventivos de mitigação de perdas. Dados da FenSeg mostram que a área segurada com apoio do programa caiu de 13,7 milhões de hectares em 2021 para aproximadamente 3,2 milhões de hectares em 2025, o equivalente a apenas 3,6% da área agrícola nacional. A indústria considera que a ampliação da previsibilidade orçamentária é fundamental para reverter essa tendência e expandir a cobertura do seguro rural para regiões e culturas atualmente menos atendidas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.