22/Jun/2026
Ondas de calor provocaram mais de 120 mil mortes no Brasil entre 2000 e 2019, segundo estudo inédito da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em parceria com a Universidade Federal da Bahia (UFBA), no âmbito de projetos de cooperação científica ligados ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e ao Ministério do Meio Ambiente, com apoio internacional. A pesquisa analisou dados de mortalidade por doenças do aparelho circulatório e cardiovasculares registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) em 5.566 municípios brasileiros e identificou associação consistente entre a exposição ao calor extremo e o aumento da mortalidade, com maior impacto sobre idosos, mulheres e pessoas com menor escolaridade, evidenciando a influência de fatores sociais na vulnerabilidade ao estresse térmico. Também foram avaliados efeitos sobre internações hospitalares, com aumento do risco de admissões por doenças respiratórias, especialmente pneumonia, e por doenças do sistema urinário, incluindo insuficiência renal.
O mecanismo associado ao calor extremo envolve sobrecarga cardiorrespiratória, inflamações, agravamento de doenças pré-existentes, desidratação, redução do volume sanguíneo e disfunção renal. Entre crianças, o efeito mais recorrente foi o aumento de casos de diarreia, associado à maior suscetibilidade à desidratação, imaturidade dos mecanismos de regulação térmica e impactos ambientais do calor na qualidade da água e no armazenamento de alimentos. Entre idosos, foi observada maior sensibilidade a doenças respiratórias, renais e metabólicas, como diabete, em função da menor capacidade de regulação térmica, maior prevalência de doenças crônicas e uso de medicamentos que interferem no equilíbrio fisiológico. Em ondas de calor mais intensas, quadros cardiorrespiratórios podem evoluir rapidamente para formas graves. O estudo indica tendência de aumento na frequência e intensidade das ondas de calor na maior parte dos municípios brasileiros ao longo do período analisado, com variações regionais.
Eventos mais frequentes, longos e persistentes foram registrados nas Regiões Norte e Centro-Oeste, enquanto os episódios de maior intensidade ocorreram nas Regiões Sul e Sudeste. A principal inovação do estudo está na integração, em escala nacional, da caracterização das ondas de calor por frequência, intensidade e duração com a análise de impactos sobre internações e mortalidade, reforçando evidências já descritas na literatura científica e ampliando a compreensão dos efeitos do calor extremo na saúde pública brasileira. Entre as recomendações ao poder público estão a implementação de sistemas de monitoramento e alerta precoce, orientação à população e fortalecimento da capacidade de resposta do Sistema Único de Saúde, além da incorporação sistemática de informações climáticas nos sistemas de vigilância epidemiológica e ambiental para antecipação de riscos e planejamento de ações preventivas. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.