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22/Jun/2026

Brasil: entraves à produtividade e competitividade

O Centro de Liderança Pública (CLP) avalia que o Brasil possui condições estruturais para avançar ao grupo das economias de maior renda, mas enfrenta obstáculos que limitam seu crescimento de longo prazo. Entre os principais desafios apontados estão a baixa articulação institucional, o elevado grau de protecionismo econômico e dificuldades para sustentar políticas voltadas ao aumento da produtividade. O estudo argumenta que o País reúne características semelhantes às observadas em nações que conseguiram superar a chamada armadilha da renda média, situação em que economias deixam a condição de subdesenvolvimento, mas encontram dificuldades para alcançar níveis mais elevados de renda e produtividade.

Entre os fatores considerados favoráveis ao desenvolvimento brasileiro estão o amplo mercado interno, a competitividade do agronegócio, a solidez do sistema financeiro, o nível adequado de reservas internacionais e a capacidade estatal existente em diversas áreas técnicas estratégicas. Apesar desses ativos, há entraves estruturais que limitam o crescimento econômico. Entre eles estão a baixa integração ao comércio internacional, a elevada informalidade, deficiências na qualidade da educação, investimentos insuficientes em infraestrutura e dificuldades institucionais para a implementação de políticas de longo prazo voltadas ao aumento da produtividade. A abertura econômica é apontada como uma das principais diferenças entre o Brasil e países que conseguiram acelerar seu processo de desenvolvimento. Dados citados pelo estudo mostram que o comércio total de bens e serviços representou 33,7% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2023.

Em comparação, o indicador alcançou 87,9% na Coreia do Sul, 110,0% na Polônia, 154,9% na Estônia e 60,7% no Chile. O levantamento também destaca que as tarifas médias praticadas pelo Brasil permanecem superiores às observadas em grande parte dos países emergentes. Além disso, persistem barreiras não tarifárias relevantes e baixa participação dos serviços nas exportações nacionais. Segundo a análise, a limitada integração às cadeias globais de valor reduz não apenas as exportações, mas também a importação de insumos, tecnologias e estímulos concorrenciais capazes de impulsionar ganhos de produtividade. Outro fator considerado relevante é o ambiente institucional. O estudo aponta que a realização de investimentos de longo prazo enfrenta obstáculos decorrentes da combinação entre presidencialismo de coalizão, rigidez orçamentária, baixa coordenação entre entes federativos, insegurança jurídica e necessidade frequente de negociações legislativas.

Esse conjunto de fatores dificulta a continuidade de projetos plurianuais e reduz a previsibilidade necessária para investimentos estruturantes. Mesmo diante desses desafios, o CLP avalia que o cenário é passível de reversão. O documento sustenta que a experiência acumulada em setores de elevada competitividade, como o agronegócio, demonstra a capacidade do País de superar gargalos e implementar soluções capazes de elevar a produtividade e a eficiência econômica. Os países que alcançaram elevados níveis de desenvolvimento combinaram responsabilidade fiscal, maior abertura econômica, educação de qualidade, infraestrutura moderna e instituições capazes de sustentar políticas públicas de longo prazo. O Brasil já dispõe de parte dessas bases e poderá ampliar seu potencial econômico caso avance na construção de um ambiente mais competitivo, produtivo e orientado para resultados. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.