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15/Jun/2026

EUA-Irã parecem se aproximar de acordo de paz

Uma proposta preliminar de memorando de entendimento entre Estados Unidos e Irã prevê compromissos mútuos voltados à redução das tensões geopolíticas e à normalização do fluxo energético na região do Golfo Pérsico. Segundo informações divulgadas pela agência estatal iraniana Mehr News, o documento estabelece que os Estados Unidos suspendam as sanções aplicadas às exportações de petróleo iraniano, enquanto o Irã se comprometeria a reabrir o Estreito de Ormuz. A minuta contém 14 pontos e busca criar as bases para a retomada das negociações formais entre os dois países. O texto prevê que a fase final das tratativas somente será iniciada após o cumprimento de condições consideradas preliminares pelo Irã. Entre essas condições estão a liberação de metade dos recursos financeiros iranianos atualmente congelados no exterior, a suspensão das sanções ao setor petrolífero do país e o encerramento do bloqueio naval que afeta as operações comerciais iranianas.

Caso avance, o entendimento poderá ter impactos relevantes sobre o mercado global de energia. A reabertura do Estreito de Ormuz reduziria os riscos logísticos para o transporte internacional de petróleo, enquanto a retomada das exportações iranianas ampliaria a oferta global da commodity, potencialmente contribuindo para aliviar pressões sobre os preços internacionais da energia. O eventual acordo também poderá influenciar mercados relacionados ao agronegócio, especialmente fertilizantes e combustíveis, segmentos fortemente dependentes das cotações energéticas globais e dos custos de transporte marítimo. O texto de um possível memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos ainda não recebeu aprovação final das autoridades competentes da República Islâmica, segundo informações divulgadas na sexta-feira (12/06) pela Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC).

A publicação ocorre em meio a especulações sobre um acordo para encerrar o conflito entre os dois países e após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmar que um entendimento está próximo de ser assinado. De acordo com a IRGC, a pressão militar e diplomática dos Estados Unidos para alterar o texto de 14 artigos não teve sucesso. Ainda segundo a publicação, os Estados Unidos teriam informado, por meio de um mediador do Catar, que as modificações propostas mais recentemente já não seriam necessárias. O relato acrescenta que o Irã rejeitou novas mudanças sugeridas por Washington após tentativas de pressão envolvendo ameaças, ações militares e esforços diplomáticos. Apesar disso, o texto ainda precisa passar por análise e aprovação dos órgãos competentes iranianos. "Até que esse processo seja concluído, especulações e notícias sobre o conteúdo do acordo não devem ser consideradas confiáveis", afirmou a mensagem da IRGC no Telegram.

Em paralelo, a agência estatal iraniana IRNA negou que os termos do rascunho prevejam concessões sobre o Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte global de petróleo. Segundo a agência, o texto não inclui qualquer compromisso do Irã de ceder a gestão da passagem marítima ou restaurar as condições existentes antes da ofensiva militar conduzida por Estados Unidos e Israel. A IRNA afirmou que essa avaliação se baseia nas "linhas gerais do texto atual", que ainda não foi formalmente aprovado. O Ministério das Relações Exteriores do Irã também declarou na sexta-feira (12/06) que o país não chegou a uma conclusão final sobre o acordo. Na quinta-feira (11/06), Trump havia afirmado que todas as partes já haviam concordado com os pontos finais do entendimento.

Ainda, na sexta-feira (12/06), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a elevar o tom contra o Irã, ao acusar o governo iraniano de divulgar informações falsas sobre os termos de um possível acordo para encerrar o conflito entre os dois países. O republicano afirmou que os detalhes apresentados por autoridades iranianas à imprensa "não têm nada a ver" com o entendimento negociado entre as partes. "Os termos que o Irã vazou para a imprensa de notícias falsas não têm nada a ver com os termos que foram acordados por escrito", escreveu Trump. Segundo ele, as declarações iranianas sobre um acordo são "fracas e patéticas" e "não têm qualquer relação com a verdade". O presidente norte-americano não explicitou, na publicação, quais são os supostos termos falsos aos quais se referia.

Trump também acusou o Irã de agir de má-fé nas negociações. "Com eles, não existe negociação de boa-fé", declarou. A manifestação ocorre após o Irã negar que o memorando de entendimento já tenha sido concluído. O presidente americano ainda criticou um suposto ataque com drones contra embarcações indianas que deixavam o Estreito de Ormuz. Segundo Trump, a ação foi "completamente repelida" e é "totalmente inaceitável". O republicano não apresentou detalhes adicionais sobre o incidente nem atribuiu formalmente a responsabilidade ao governo iraniano. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou na sexta-feira (12/06) que o chamado Memorando de Entendimento de Islamabad "nunca esteve tão próximo" de sua conclusão, mas pediu que a imprensa evite especulações sobre o conteúdo do documento enquanto as negociações não forem finalizadas. O acordo ainda depende de sua conclusão formal e os detalhes serão divulgados posteriormente.

A manifestação ocorreu poucas horas após o presidente dos Estados Unidos acusar o Irã de divulgar informações falsas sobre os termos de um possível acordo destinado a encerrar o conflito entre os dois países. Logo depois da publicação de Araghchi, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, negou relatos de que o Irã receberia recursos financeiros como parte de um eventual acordo. Vance afirmou que os benefícios econômicos previstos dependerão do cumprimento das obrigações assumidas pelo Irã e defendeu que a estrutura do acordo prioriza as preocupações dos Estados Unidos e de seus aliados. O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, afirmou na sexta-feira (12/06) que, apesar dos ruídos das campanhas de desinformação para sabotar o acordo de paz, um texto final foi alcançado entre os Estados Unidos e o Irã. O Paquistão agora está trabalhando de perto com ambos os lados para finalizar os próximos passos. "A paz nunca esteve tão próxima como está agora", escreveu Sharif na rede X. Fonte: CNBC e Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.