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12/Jun/2026

El Niño 2026 reacende alerta para agricultura global

O retorno do fenômeno El Niño ao Oceano Pacífico em 2026 tem potencial para se tornar um dos principais fatores de risco para a produção agrícola mundial nos próximos meses. Após meses de monitoramento, a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) confirmou a formação das condições características do fenômeno, enquanto a Organização Meteorológica Mundial (OMM) estima probabilidade superior a 80% de desenvolvimento entre junho e agosto e mais de 90% de permanência até pelo menos novembro. As projeções indicam que o evento poderá atingir intensidade moderada a forte, elevando o risco de extremos climáticos em importantes regiões produtoras de alimentos. O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, alterando padrões atmosféricos e redistribuindo regimes de chuva e temperatura em diversas partes do mundo.

Embora seus impactos variem de acordo com a região, o fenômeno costuma provocar secas em algumas áreas agrícolas e excesso de precipitações em outras, afetando diretamente produtividade, logística e qualidade das colheitas. Para os mercados agrícolas, a principal preocupação está na possibilidade de redução da oferta global de commodities. Na Ásia, países produtores de óleo de palma, como Indonésia e Malásia, tendem a enfrentar períodos mais secos e quentes, cenário que já gera preocupações quanto à produtividade das lavouras. Em eventos anteriores, como o registrado entre 2015 e 2016, houve perdas relevantes na produção regional de óleo de palma, com reflexos sobre os preços internacionais dos óleos vegetais.

Na Oceania, o risco de redução das chuvas pode afetar culturas de inverno e pastagens na Austrália, importante exportador mundial de trigo, cevada e carne bovina. Já em partes da Índia e do Sudeste Asiático, mudanças no regime de monções podem comprometer culturas como arroz, cana-de-açúcar e algodão, ampliando a volatilidade dos mercados agrícolas globais. Na América do Sul, os efeitos costumam ser mais heterogêneos. Historicamente, a Região Sul do Brasil, a Argentina, o Uruguai e o Paraguai registram aumento das precipitações durante eventos de El Niño, condição que geralmente favorece o desenvolvimento das lavouras de soja, milho e trigo, desde que não ocorram excessos prolongados de chuva.

No entanto, regiões do Norte e Nordeste brasileiro podem enfrentar condições mais secas, elevando os riscos para atividades agropecuárias dependentes da regularidade das precipitações. Para o agronegócio brasileiro, o retorno do fenômeno traz tanto oportunidades quanto desafios. Após anos marcados por eventos climáticos extremos associados à transição entre La Niña e neutralidade climática, um El Niño de intensidade moderada ou forte tende a beneficiar parte importante da produção de grãos no Centro-Sul, especialmente durante o ciclo de verão 2026/27. Por outro lado, o excesso de chuvas pode prejudicar operações de plantio, colheita e logística, além de aumentar a incidência de doenças fúngicas em determinadas culturas. Outro aspecto relevante é o potencial impacto sobre os preços agrícolas.

Caso o fenômeno provoque perdas produtivas em grandes exportadores globais, mercados como trigo, arroz, óleo de palma, açúcar e algumas proteínas animais poderão registrar movimentos de valorização. Em um ambiente já marcado por tensões geopolíticas, custos elevados de fertilizantes e incertezas econômicas, o clima volta a assumir papel central na formação dos preços internacionais das commodities. Embora ainda existam incertezas sobre a intensidade final do evento, o consenso entre os principais centros meteorológicos internacionais é que o risco climático para a segunda metade de 2026 aumentou significativamente. Para produtores, cooperativas, tradings e indústrias ligadas ao agronegócio, o monitoramento constante das condições oceânicas e atmosféricas será fundamental para antecipar decisões comerciais e de manejo em um cenário que poderá redefinir o comportamento da oferta agrícola global nos próximos meses. Fonte: G1. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.