12/Jun/2026
Os Estados Unidos lançaram uma segunda rodada de ataques aéreos contra o Irã na madrugada desta quinta-feira (11/06 pelo horário local), após o presidente Donald Trump alertar que o Irã "pagaria o preço" pelo impasse nas negociações de paz. O regime iraniano respondeu com bombardeios contra o Bahrein, o Kuwait e a Jordânia, países aliados dos Estados Unidos. Relatos indicaram explosões nas ilhas de Qeshm e Kish, localizadas no Estreito de Ormuz, além das cidades iranianas de Bandar Abbas, Minab e Sirik. Alarmes antiaéreos também foram acionados no Irã. Autoridades iranianas informaram ainda que o campo de gás de South Pars, no Golfo Pérsico, foi atingido durante os ataques. O Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) informou, na quarta-feira (10/06), ter "completado" a nova rodada de ataques aéreos contra o Irã, pouco antes do amanhecer no país persa.
A ofensiva ocorreu "em resposta à agressão injustificada e contínua" do regime iraniano e teve como alvos instalações militares e sistemas de comunicação. A nova ofensiva americana contra várias regiões do Irã ocorreu enquanto os esforços para negociar o fim da guerra voltaram a aparentar estagnação, com o Irã insistindo em manter o controle do Estreito de Ormuz. O ataque dos Estados Unidos pareceu mais intenso e amplo do que o da véspera, mas o Irã não divulgou informações sobre os alvos atingidos. O Kuwait fechou seu espaço aéreo por causa da retaliação iraniana, mas não detalhou eventuais danos. A Jordânia não se pronunciou sobre o ataque, embora a Embaixada dos Estados Unidos em Amã tenha alertado sobre a ofensiva. No Bahrein, sirenes de alerta para mísseis foram acionadas, mas o governo também não informou se alguma localidade foi atingida.
A terceira troca de ataques no Oriente Médio nesta semana colocou mais uma vez à prova o frágil cessar-fogo assinado há dois meses. Nas primeiras horas da segunda-feira (08/06), Irã e Israel realizaram ofensivas mútuas. Na quarta-feira (10/06) e nesta quinta-feira (11/06), os protagonistas do combate foram as forças norte-americanas e iranianas. Trump tem pressionado o Irã a assinar um acordo para encerrar a guerra e sugeriu no início desta semana que um entendimento poderia ser alcançado em dias. Apesar dos bombardeios, o Irã tem se mostrado resiliente e aposta no controle sobre o Estreito de Ormuz como um trunfo nas negociações. A escalada militar provocou reação imediata nos mercados internacionais de energia, com avanço das cotações do petróleo diante do aumento das preocupações sobre a segurança do fornecimento na região.
O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas mais estratégicas para o transporte global de petróleo e gás natural, concentrando parcela relevante do comércio energético mundial. O episódio ocorre cerca de dois meses após um cessar-fogo entre as partes e evidencia as dificuldades para a construção de um acordo duradouro. Entre os principais pontos de divergência permanecem as exigências dos Estados Unidos relacionadas ao programa nuclear iraniano, incluindo o destino dos estoques de urânio enriquecido do país. A valorização do petróleo aumenta as preocupações sobre possíveis impactos inflacionários em diversas economias, especialmente nos preços dos combustíveis. A evolução do conflito e das negociações diplomáticas deverá continuar sendo acompanhada pelos mercados, diante dos potenciais reflexos sobre energia, inflação, comércio internacional e crescimento econômico global.
Ainda, o Ministério das Relações Exteriores do Irã republicou nesta quinta-feira (11/06) um post do porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirmando que os Estados Unidos cometeram um crime de guerra ao atingir os tanques de água potável no sul do Irã. "A água é o pulso da vida, e os EUA estão deliberadamente mirando o sangue vital do povo iraniano", escreveu Baghaei na rede X. Segundo ele, o governo norte-americano atacou a infraestrutura vital de água civil em Sirik e Hormozgan, destruindo dois reservatórios com uma capacidade combinada de 2.500 metros cúbicos que forneciam água potável para mais de 20.000 residentes. "Isso não é dano colateral, um crime de guerra calculado e uma flagrante violação dos direitos humanos e do direito internacional humanitário", enfatizou ele. "Os EUA devem ser responsabilizados por cometerem tais ataques brutais sistemáticos contra a infraestrutura que sustenta a vida civil". Baghaei acrescentou que, ao atacar este alvo, os Estados Unidos golpeiam a própria base da "narrativa nobre que construiu sobre si mesmo" sobre direitos humanos, ordem internacional e responsabilidade moral.
O presidente norte-americano, Donald Trump, ficou furioso esta semana após ordenar novos ataques ao Irã, acreditando que tanto o Irã quanto a mídia não veem a ação militar dos Estados Unidos como suficientemente poderosa. Trump ordenou duas rodadas de ataques na esperança de chocar os líderes iranianos a ponto de aceitarem um acordo para encerrar as hostilidades. Mas, sua frustração se estendeu até esta quinta-feira (11/06). O republicano acredita que o Irã ainda não está levando os ataques a sério e agora projeta abertamente seus planos, como ameaças sobre a Ilha Kharg, tentando coagir o Irã a concordar com suas exigências diplomáticas. Donald Trump quer que os Estados Unidos sejam vistos como o lado mais forte na guerra e que o Irã está ficando sem opções. Fonte: Broadcast Agro e CNN. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.