11/Jun/2026
A equipe econômica do governo brasileiro deverá se reunir até o final desta semana com o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, dando continuidade às negociações bilaterais sobre questões tarifárias e comerciais entre os dois países. O encontro ocorre no contexto dos grupos de trabalho criados pelos governos do Brasil e dos Estados Unidos para discutir temas relacionados ao comércio bilateral. As estruturas de negociação foram estabelecidas após reunião entre os presidentes dos dois países realizada no mês passado, com o objetivo de ampliar o diálogo sobre medidas tarifárias e barreiras comerciais. No âmbito das tratativas, o governo brasileiro busca acompanhar os desdobramentos das propostas apresentadas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR).
Entre as recomendações em análise estão a aplicação de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, sob alegação de práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses norte-americanos, além de uma tarifa adicional de 12,5% relacionada a questionamentos sobre mecanismos de controle de cadeias produtivas e condições de trabalho. A expectativa do governo brasileiro é manter o canal de negociação aberto para discutir os temas comerciais pendentes e buscar soluções no âmbito da relação bilateral. Em paralelo, a avaliação do governo é de que não há previsão de encontro bilateral entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos durante a cúpula do G7, programada para ocorrer entre os dias 15 e 17 de junho, em Évian-les-Bains, na França.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o Brasil não aceitará as recentes tarifas propostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, argumentando que as medidas atingem diretamente os trabalhadores nacionais e não refletem a realidade das condições de trabalho e produção existentes no País. A manifestação ocorreu nesta quarta-feira (10/06) durante a abertura da 7ª Reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável (CDESS), realizada no Palácio Itamaraty, em Brasília. Lula solicitou a elaboração de um estudo comparativo sobre remuneração e direitos trabalhistas nos Estados Unidos e no Brasil.
Segundo o presidente, a análise deverá subsidiar a resposta brasileira às justificativas apresentadas pelas autoridades norte-americanas para a imposição de novas tarifas comerciais. As medidas em discussão nos Estados Unidos incluem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre produtos brasileiros sob alegações relacionadas a supostas práticas comerciais consideradas prejudiciais à economia norte-americana e à suposta facilitação da comercialização de produtos vinculados a trabalho forçado. O presidente também questionou os argumentos utilizados pelos Estados Unidos em temas ambientais e trabalhistas. Segundo Lula, é necessário comparar indicadores de direitos dos trabalhadores e de preservação ambiental entre os dois países antes da adoção de medidas restritivas contra produtos brasileiros.
As declarações ocorrem em um momento de intensificação das discussões comerciais entre Brasil e Estados Unidos. Recentemente, grupos de trabalho formados pelos dois governos iniciaram negociações para tratar das tarifas propostas pelas autoridades norte-americanas e de temas relacionados ao comércio bilateral. O tema tem sido acompanhado com atenção pelo setor produtivo brasileiro, especialmente pelos segmentos exportadores, diante dos potenciais impactos das novas barreiras comerciais sobre a competitividade dos produtos nacionais no mercado dos Estados Unidos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.