11/Jun/2026
A proporção de famílias brasileiras com algum tipo de dívida alcançou 81,6% em maio de 2026, novo recorde da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O indicador avançou frente aos 80,9% registrados em abril e aos 78,2% observados em maio de 2025, acumulando o quinto mês consecutivo de crescimento. O levantamento considera compromissos financeiros vinculados a cartão de crédito, cheque especial, carnês de loja, crédito consignado, empréstimos pessoais, cheques pré-datados e financiamentos de veículos e imóveis. A inadimplência também apresentou avanço. A parcela de famílias com contas em atraso passou de 29,7% em abril para 29,9% em maio. No mesmo mês do ano passado, o percentual era de 29,5%.
A proporção de famílias que afirmam não ter condições de quitar os débitos em atraso permaneceu estável em 12,3%, abaixo dos 12,5% registrados em maio de 2025. O cartão de crédito segue como a principal modalidade de endividamento, sendo citado por 84,6% das famílias endividadas. A CNC destaca que o elevado custo financeiro dessa modalidade continua sendo um fator de preocupação, especialmente diante das altas taxas praticadas no crédito rotativo. Entre as famílias com renda de até três salários-mínimos, a situação financeira mostrou maior deterioração. Nesse grupo, a inadimplência avançou 1,7% em relação ao mês anterior, atingindo 38,6% em maio. A pesquisa também aponta aumento da percepção de endividamento mais intenso. A parcela de famílias que se consideram muito endividadas subiu para 17,0%, alcançando o maior nível desde junho de 2024. Apesar da piora dos indicadores de endividamento e inadimplência, alguns dados sugerem maior alongamento dos compromissos financeiros.
Cerca de 33,3% das famílias possuem dívidas com prazo superior a um ano, enquanto o comprometimento médio da renda recuou para 29,3%. Entre os consumidores inadimplentes, 49,3% relataram possuir débitos vencidos há mais de 90 dias, a menor participação registrada em 2026. O tempo médio de atraso nas contas também diminuiu, alcançando 65 dias. O cenário reflete os efeitos combinados de juros elevados, inflação e redução gradual da transmissão das quedas da taxa Selic ao crédito ao consumidor. Diante da expectativa de continuidade do avanço do endividamento nos próximos meses, o mercado acompanha os efeitos do programa Desenrola 2.0, lançado pelo governo federal, com expectativa de contribuir para a renegociação de dívidas e para a melhora dos indicadores financeiros das famílias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.