11/Jun/2026
Medicamentos de combate ao diabetes e à obesidade estão mudando os hábitos de consumo em todo mundo, especialmente na indústria de alimentos. Fato consumado, se não pode com eles, melhor é adaptar-se. A máxima tem sido aplicada na divisão de alimentos da Unilever, gigante global de produtos de consumo que reportou receita de 12,6 bilhões de euros no primeiro trimestre de 2026, com participação ativa das marcas ligadas à alimentação, especialmente Hellmann's que, aos 64 anos, continua em plena forma. De acordo com levantamento da Nielsen, em abril deste ano, o mercado de maioneses cresceu 10,7% em valores e 2% em volume. No caso de Hellmann's o crescimento foi da ordem de 11,6% e 3,7% respectivamente. As canetas emagrecedoras, como vem sendo chamados os medicamentos à base de Semaglutida (Ozempic) e da tirzepatida (Mounjaro), não prejudicaram as vendas da companhia. As pessoas estão comendo porções menores, mas não abrem mão do sabor.
As vendas da versão light da maionese são as que mais crescem: 38% em valor e 25% em volume, em abril deste ano sobre março de 2025. A companhia tem apostado fortemente em duas direções: o público jovem e em inovação. Não por acaso, tem se visto a marca Hellmann's em badalados festivais de música, como Lollapalooza, Rock in Rio, The Town, e, ‘cerejas do bolo’: a série Stranger Things e os jogos da NBA e suas plataformas adoradas pela garotada. A empresa não divulga valores, mas afirma que seus investimentos em marketing seguem os parâmetros globais, na casa dos 16% da receita. No capítulo inovação, tem para todos os gostos, desde o ketchup sem conservantes, às versões saborizadas de Hellmann's. Começou em 2020 com a maionese verde (sabor ervas.) Hoje, além da tradicional, há outros oito sabores (de alho até sabor churrasco) disponível nas gôndolas dos supermercados. Tudo desenvolvido no Brasil e depois exportado para os demais países.
A mais recente novidade, é fruto de uma parceria entre a anglo-holandesa e a norte-americana Pepsico. Os "Molhos para Chuchar" são apostas da companhia para a Copa do Mundo: a Unilever entra com o molho e a Pepsico com o salgadinho, tipo tortilhas, batizadas de Tostitos. No México, 30% das vendas estão concentradas no Wal Mart, a maior rede local de supermercados. No B2B, boa parte da comercialização é feita em barraquinhas distribuídas pelas ruas. Lá, vende-se maionese por quilo, tudo pago em papel moeda. O mercado informal é enorme. Nenhum outro país latino-americano tem a sofisticação da tecnologia financeira do Brasil. A divisão trabalha em duas frentes, vendas ao consumidor final, o B2C, e para o mundo corporativo, o B2B, onde entram hotéis, restaurante e padarias, por exemplo. A microeconomia argentina é um complicador, com renda e consumo em queda. O México vem sofrendo com a dependência da economia norte-americana e as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Mas há oportunidade de crescimento nos três maiores mercados.
Desde 2022 que a Unilever promove uma reestruturação interna para concentrar esforços nos que considera de maior relevância: Beleza e Bem-Estar, Cuidados com a Casa, Cuidados Pessoais, Nutrição. A última movimentação foi em 2024, quando a companhia separou sua divisão de sorvetes e criou uma empresa independente com marcas globais e locais. Agora, é a vez da divisão de alimentos passar por algo parecido. Em março passado, a companhia anunciou a junção de Unilever Foods com a McCormick, o que vai resultar em uma nova gigante global do setor, avaliada, em princípio, em quase US$ 70 bilhões. A operação, avaliada em US$ 45 bilhões, envolve o pagamento de US$ 15 bilhões em dinheiro e US$ 30 bilhões em ações da McCormick com a Unilever no controle acionário, com 65% das ações. A marca que sobrevive é a McCormick, mais voltada ao B2B. São negócios complementares, já que a especialidade da McCormick são aromas e temperos. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.