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10/Jun/2026

Inadimplência do Agro deverá se manter elevada

Segundo o Banco Original, a inadimplência no agronegócio brasileiro pode ter alcançado seu ponto mais elevado, mas a normalização financeira do setor deverá ocorrer de forma gradual. A deterioração recente é atribuída principalmente à redução das margens dos produtores rurais e ao aumento dos custos financeiros. A combinação de crédito mais restritivo, insegurança jurídica e rentabilidade reduzida criou um ambiente desafiador para o setor. A inadimplência elevada não tende a recuar rapidamente, exigindo um período mais longo de ajuste financeiro para os produtores. O principal problema enfrentado atualmente pelo agronegócio não está na disponibilidade de crédito, mas na capacidade de geração de renda das atividades agropecuárias. A recuperação da capacidade de pagamento dos produtores depende da recomposição das margens operacionais e de condições econômicas mais favoráveis. Nesse contexto, é importante a adoção de renegociações estruturadas e soluções financeiras alinhadas à realidade dos produtores.

A redução da inadimplência exige operações de crédito mais eficientes e adequadas à capacidade de pagamento do setor. Outro fator apontado como relevante é a insegurança jurídica relacionada à execução de garantias. A demora nos processos de recuperação de crédito e as dificuldades enfrentadas em casos de recuperação judicial aumentam o risco das operações e elevam o custo do financiamento rural. A combinação entre inadimplência elevada, juros altos e incertezas jurídicas tende a manter pressionado o custo do crédito nos próximos anos. A recuperação mais consistente dependerá da melhora dos preços recebidos pelos produtores, da redução das taxas de juros e do aumento da eficiência produtiva. Ao analisar a estrutura de financiamento do agronegócio, apenas entre 20% e 22% dos recursos do Plano Safra 2025/26 contaram com equalização de juros. A maior parte das operações foi contratada a taxas de mercado, que podem variar entre 20% e 25% ao ano.

Destaque para o avanço do mercado de capitais como fonte complementar de recursos para o setor, por meio de instrumentos como Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA), Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) e Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais (Fiagro). Considerando crédito rural, mercado de capitais, financiamento privado e recursos de fornecedores, a disponibilidade total de capital para o agronegócio é estimada em aproximadamente R$ 1 trilhão. Apesar da ampla oferta de recursos, há sinais de ineficiência na alocação do crédito. Enquanto a produção brasileira de grãos cresceu de 240 milhões para 350 milhões de toneladas entre 2019 e 2026, o volume de crédito destinado ao setor avançou de pouco mais de R$ 200 bilhões para cerca de R$ 700 bilhões no mesmo período, indicando expansão financeira em ritmo superior ao crescimento da produção. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.