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10/Jun/2026

Endividamento deve acelerar consolidação no campo

Segundo a Agrolend, o aumento da inadimplência no agronegócio brasileiro ocorre de forma heterogênea entre os produtores e tende a acelerar um processo de consolidação no campo nos próximos anos. Observa-se uma divisão crescente entre produtores com elevada produtividade e estrutura patrimonial sólida e aqueles mais expostos ao endividamento e à pressão financeira. Produtores com produtividade entre 60 e 70 sacas de 60 Kg de soja por hectare, áreas próprias e maior eficiência operacional continuam apresentando condições financeiras mais favoráveis. Em contrapartida, produtores com produtividade entre 30 e 40 sacas de 60 Kg por hectare, dependentes de custeio mais caro e submetidos a juros elevados, enfrentam dificuldades para manter a rentabilidade nas condições atuais de mercado.

A deterioração financeira de parte dos produtores é atribuída à reversão do ciclo favorável observado entre 2020 e 2024, período caracterizado por juros historicamente baixos, elevada rentabilidade das lavouras e ampla disponibilidade de crédito. Esse ambiente estimulou maior tomada de risco e aumento da alavancagem financeira no setor. Com a elevação dos juros após a pandemia e a queda dos preços das commodities agrícolas, especialmente da soja, muitos produtores passaram a enfrentar dificuldades para cumprir compromissos financeiros. A soja recuou de patamares próximos a R$ 180,00 por saca de 60 Kg para uma faixa entre R$ 100,00 e R$ 120 por saca de 60 Kg, ao mesmo tempo em que houve inflação dos insumos agrícolas e aumento do custo de financiamento. Os produtores mais vulneráveis são justamente aqueles que ampliaram o endividamento durante o período de expansão.

Nesse cenário, as instituições financeiras passaram a adotar critérios mais rigorosos na concessão de crédito. Embora permaneça elevada a disponibilidade de recursos para produtores com alta produtividade e rentabilidade, o acesso ao crédito tornou-se mais restrito para aqueles com elevado grau de alavancagem. Os próximos anos ainda serão marcados por desafios relacionados aos custos de produção, especialmente dos fertilizantes. No entanto, a expectativa é de melhora gradual do ambiente financeiro à medida que o ciclo de juros elevados se aproxime do fim. Apesar das dificuldades de curto prazo, a perspectiva é de um cenário mais favorável a partir de 2027, com a possível redução das taxas de juros contribuindo para aliviar a pressão financeira sobre os produtores rurais e melhorar as condições de crédito no setor. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.