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10/Jun/2026

Brasil e EUA: escalada tarifária é o principal risco

Segundo o JPMorgan, a principal ameaça à relação econômica entre Brasil e Estados Unidos é uma eventual escalada tarifária decorrente de medidas de retaliação comercial. O Brasil deve manter os canais de negociação abertos com o governo norte-americano, evitando medidas que possam ampliar as barreiras comerciais entre os dois países. Novas tarifas de importação poderiam elevar ainda mais as pressões inflacionárias em um ambiente econômico já desafiador. A tarifa média ponderada aplicada pelos Estados Unidos aos produtos brasileiros gira atualmente em torno de 11%. Caso a proposta de tarifas adicionais de 25% anunciada pelo governo norte-americano seja implementada, esse percentual poderá alcançar aproximadamente 19%. Embora tarifas mais elevadas gerem impactos relevantes para setores específicos da economia brasileira, o volume atual das exportações brasileiras para os Estados Unidos ainda representa parcela relativamente limitada da atividade econômica nacional.

Nesse contexto, os efeitos mais significativos estariam concentrados em determinadas cadeias produtivas. O maior risco econômico está associado à possibilidade de uma sequência de medidas retaliatórias entre os dois países, ampliando as restrições comerciais e elevando custos para empresas e consumidores. A relação econômica bilateral apresenta características assimétricas. De um lado, existem pressões decorrentes das disputas tarifárias; de outro, os Estados Unidos permanecem como uma das principais fontes de Investimento Direto no País (IDP), contribuindo para a geração de empregos qualificados e para a expansão da capacidade produtiva brasileira. Segundo estimativas do JPMorgan, o Brasil deverá receber em 2026 um volume de investimento direto equivalente a 3,3% do Produto Interno Bruto (PIB).

Desse total, aproximadamente 19% deverão ter origem nos Estados Unidos. O percentual supera significativamente a participação dos investimentos provenientes da China, estimada entre 7% e 8% do fluxo total de capital estrangeiro direcionado ao País. Diante desse cenário, a agenda bilateral deve priorizar a preservação do ambiente favorável ao investimento direto, destacando a importância de avanços em segurança regulatória, previsibilidade institucional e estabilidade macroeconômica como fatores essenciais para atrair novos aportes estrangeiros. A análise reforça que, embora as disputas tarifárias possam afetar segmentos específicos das exportações brasileiras, os investimentos norte-americanos continuam desempenhando papel relevante na economia nacional, especialmente em setores de maior intensidade tecnológica e geração de valor agregado.

A senadora Tereza Cristina afirmou que a investigação conduzida pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da Lei de Comércio americana representa atualmente a principal preocupação para o comércio exterior brasileiro. A recomendação de aplicação de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), pode gerar impactos relevantes para as exportações nacionais. Antes de uma eventual implementação da medida, está prevista uma audiência pública em 6 de julho. As discussões comerciais internacionais passaram por uma transformação significativa nos últimos anos. Temas que anteriormente eram conduzidos predominantemente em fóruns multilaterais e por áreas técnicas dos governos passaram a ocupar posição central nas agendas políticas e diplomáticas dos países.

Essa mudança exige uma nova estratégia de atuação do Brasil nas negociações internacionais, especialmente diante da relevância dos Estados Unidos, da China e da União Europeia para o comércio exterior nacional. O agronegócio brasileiro, por sua forte inserção internacional, está diretamente exposto às mudanças nas políticas comerciais desses mercados. A parlamentar citou as recentes restrições impostas pela União Europeia à importação de determinados produtos de origem animal do Brasil e destacou a necessidade de o País demonstrar conformidade com os requisitos sanitários exigidos pelos mercados compradores.

O episódio reforça a importância de fortalecer mecanismos de fiscalização e garantir credibilidade aos sistemas de controle nacionais. O Brasil precisa definir de forma estratégica sua posição diante das transformações na geoeconomia global, preservando o acesso aos principais mercados consumidores e ampliando oportunidades para suas exportações. Ao comentar a influência do cenário político sobre as disputas comerciais, Tereza Cristina ressaltou que o movimento de revisão tarifária não está restrito ao Brasil. Dezenas de países enfrentam atualmente discussões semelhantes com os Estados Unidos em relação a barreiras comerciais e medidas tarifárias. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.