10/Jun/2026
As elevadas taxas de juros ampliaram significativamente a pressão financeira sobre as empresas brasileiras de bens de consumo e varejo em 2025. Levantamento da consultoria Alvarez & Marsal apontou que as despesas financeiras consumiram 45% do Ebitda das 40 maiores companhias do setor, percentual substancialmente superior aos 20% registrados em 2023 e aos 33,3% observados em 2024. As despesas financeiras totais dessas empresas alcançaram R$ 23,3 bilhões em 2025, representando aumento de 50% em comparação com o ano anterior. O resultado evidencia o impacto do ambiente de juros elevados sobre a geração operacional de caixa das companhias, reduzindo a capacidade de investimento e de fortalecimento financeiro. As perspectivas para 2026 permanecem desafiadoras. O cenário fiscal brasileiro tem reduzido as expectativas de uma queda mais consistente das taxas de juros, enquanto medidas voltadas ao estímulo do consumo tendem a produzir efeitos limitados sobre o desempenho do setor.
Avaliação da agência de classificação de risco Fitch Ratings indica possibilidade de aumento no número de rebaixamentos de crédito em relação a 2025. A agência destaca que a alavancagem média das empresas do segmento alcança 2,8 vezes, enquanto aproximadamente 40% do caixa gerado é destinado ao pagamento de juros. A pressão financeira já se reflete em processos de recuperação e reestruturação empresarial, além de impactar companhias relevantes do varejo e do setor de bens de consumo. Entre as empresas que enfrentam desafios relacionados ao ambiente de crédito estão Toky, GPA, Camil, Marisa, Mundial, Casas Bahia e Magazine Luiza. O avanço das despesas financeiras sobre os resultados operacionais reforça os desafios para a recuperação da rentabilidade do varejo brasileiro, especialmente em um contexto de crédito mais caro, elevada alavancagem e crescimento moderado do consumo. Fonte: Valor Econômico. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.