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10/Jun/2026

EUA erra ao penalizar aliados estratégicos com tarifas

O aumento das barreiras comerciais adotadas pelos Estados Unidos tem gerado preocupações sobre seus efeitos nas relações com aliados estratégicos e sobre a capacidade de coordenação internacional em um cenário global cada vez mais competitivo. O ex-embaixador dos Estados Unidos na China e na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Nicholas Burns, avaliou que o governo norte-americano deveria priorizar o diálogo com países parceiros antes da adoção de tarifas ou sanções comerciais. A tarifa efetiva média dos Estados Unidos passou de 2,4% em 20 de janeiro de 2025 para 11%, alcançando o maior patamar desde a década de 1930. O diplomata também criticou a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros e medidas semelhantes direcionadas a parceiros estratégicos como Japão e Coreia do Sul, argumentando que o fortalecimento de barreiras comerciais contra países aliados não atende aos interesses econômicos e geopolíticos norte-americanos.

Níveis mais baixos de proteção comercial e a ampliação do livre comércio tendem a favorecer economias exportadoras, especialmente países com forte participação do agronegócio e das exportações de commodities, como o Brasil. Nesse contexto, a relação bilateral entre Brasil e Estados Unidos atravessa um período de divergências em temas relacionados ao comércio internacional e à China, embora permaneçam fatores estruturais que sustentam a cooperação entre as duas maiores economias e populações do Hemisfério Ocidental. A ordem internacional baseada em regras enfrenta um processo de enfraquecimento, marcado pela perda de protagonismo da Organização Mundial do Comércio (OMC), dificuldades de funcionamento de instituições multilaterais e maior coordenação entre potências de perfil autoritário. A crescente adoção de medidas unilaterais e de disputas comerciais contribui para um ambiente internacional mais instável e menos previsível. Os Estados Unidos têm contribuído para esse processo ao reduzir o protagonismo tradicional exercido em fóruns multilaterais e ao ampliar disputas comerciais com parceiros históricos.

O cenário exige maior cooperação internacional para enfrentar desafios econômicos, tecnológicos e geopolíticos. A relação entre Estados Unidos e China foi apontada como o principal eixo da atual reorganização geoeconômica global. Os dois países são atualmente as únicas potências com alcance global simultâneo em economia, tecnologia, diplomacia e capacidade militar. A competição entre Estados Unidos e China ocorre de forma pacífica, mas envolve disputas em áreas estratégicas como presença militar no Indo-Pacífico, tecnologia, comércio e modelos políticos. Entre os segmentos considerados centrais nessa disputa estão inteligência artificial, computação quântica, biotecnologia, segurança cibernética e atividades espaciais. Também foram citadas preocupações relacionadas à transferência compulsória de tecnologia, proteção da propriedade intelectual e diferenças nas práticas comerciais adotadas pela China. No campo industrial, a expansão da participação chinesa na manufatura global foi apresentada como um dos principais desafios para outras economias.

Atualmente, a China responde por aproximadamente 33% da produção manufatureira mundial, com projeções consideradas conservadoras indicando participação próxima de 40% até 2030. Uma concentração dessa magnitude pode gerar desequilíbrios para economias como Brasil, Estados Unidos, União Europeia, Japão, Coreia do Sul e Índia. Apesar da relevância econômica da China para o comércio exterior brasileiro, Brasil e Estados Unidos compartilham características institucionais e interesses estratégicos comuns, incluindo democracia, liberdade de imprensa, liberdade de expressão e Estado de Direito. Também foi ressaltado o interesse mútuo em evitar excessiva concentração da produção industrial e dos fluxos comerciais globais. Nesse contexto, o relacionamento bilateral entre Brasil e Estados Unidos deve ser conduzido de forma mais equilibrada, com maior disposição ao diálogo e à cooperação, especialmente diante das transformações geopolíticas e econômicas que vêm redefinindo a dinâmica do comércio internacional. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.