09/Jun/2026
A Organização das Nações Unidas (ONU) alertou que um novo evento do padrão climático natural El Niño poderá começar em questão de semanas, aumentando as temperaturas em um planeta que já está sob pressão, devido às mudanças climáticas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) declarou que este El Niño provavelmente irá se fortalecer ao longo dos meses restantes de 2026, gerando mais eventos climáticos extremos em grande parte do mundo. Diversas previsões das agências climáticas nacionais indicam que ele poderá ser um dos mais fortes já registrados, um possível "super" El Niño. Prever o momento exato e a força do El Niño pode ser difícil. Por isso, os cientistas vêm observando as condições em uma região reveladora do Oceano Pacífico, em busca de alguma indicação. Em dezembro/2025, as águas estavam mais frias que a média, sem a presença do El Niño.
Mas, três meses depois, o panorama mudou. A temperatura da região central do Pacífico ficou mais alta, com águas muito quentes atingindo a superfície no litoral da América do Sul. Em abril, o El Niño estava claramente no horizonte. As temperaturas na região principal de monitoramento estavam subindo e as águas continuaram se aquecendo desde então. O El Niño se forma quando uma mudança dos padrões do vento permite que águas mais quentes se espalhem pela região tropical do oceano Pacífico. O evento El Niño já estava previsto, mas muitos cientistas acreditam que este poderá ser mais forte que o normal. Os cientistas receiam que os efeitos combinados do El Niño e das mudanças climáticas, causadas pela atividade humana, possam reconfigurar o clima em todo o mundo. Para o Serviço Nacional de Meteorologia do Reino Unido, há certeza de que um grande evento está por vir e pode até ser um evento recorde. O evento El Niño muito forte ocorreu apenas seis vezes desde 1950.
O mais forte aconteceu em 1982 e o mais recente, em 2015. As temperaturas da superfície do mar na região de monitoramento no oceano Pacífico flutuam naturalmente acima e abaixo da média. Quando as águas se aquecem ou resfriam mais de 0,5°C em relação à média por um período mais extenso, surgem as condições para o El Niño ou sua irmã mais fria, La Niña. Já o aquecimento acima de 2°C indica um fenômeno "muito forte", o chamado "super" El Niño. Poucos casos como estes ocorreram desde 1950. As previsões indicam que este novo El Niño pode igualar os picos do passado ou até ultrapassá-los. Dados de satélites, boias e flutuadores oceânicos indicam uma onda enorme e incomum de água quente, mais de 6ºC acima da média em alguns lugares.
Ela vem atravessando o Pacífico para o leste, a centenas de metros de profundidade. O calor dessas águas se compara com alguns dos eventos El Niño mais fortes já observados, afirma o Centro de Previsões Climáticas da Agência Oceânica e Atmosférica Nacional dos Estados Unidos (NOAA). O aquecimento em águas profundas, muitas vezes, é um precursor de águas mais quentes na superfície, que aquecem o ar acima dela, prejudicando os padrões climáticos em todo o mundo. As condições causadas pelo El Niño colocarão “lenha na fogueira” de um mundo em aquecimento, declarou o secretário-geral da ONU, António Guterres. Os impactos serão sentidos com mais força, a distâncias ainda maiores, e cruzarão fronteiras com velocidade devastadora. Não há dois eventos El Niño iguais e lugares diferentes podem ser atingidos em diferentes épocas do ano.
Mas, um El Niño forte tipicamente causa clima quente e seco em partes da América do Sul, Sudeste Asiático e Austrália, aumentando a possibilidade de secas e incêndios florestais. O evento pode também enfraquecer as monções na Índia e trazer condições mais secas para a região norte do chifre da África. E a maior quantidade de chuvas pode aumentar o risco de enchentes no sul dos Estados Unidos. O El Niño pode até aumentar a possibilidade de que o inverno britânico comece de forma moderada e termine com frio, mas sua relação com o clima do noroeste da Europa não é tão forte. Os eventos passados foram relacionados a altas dos preços dos alimentos e prejuízos de centenas de bilhões ou até trilhões de dólares em todo o mundo, com quedas da produção agrícola e interrupções do comércio atingindo a economia de diversos países e suas cadeias de abastecimento.
Como o pico do El Niño normalmente ocorre perto do Natal, é impossível saber ao certo, com tantos meses de antecedência, se ele irá estabelecer novos recordes. O El Niño é muito sensível, por exemplo, aos padrões dos ventos, que são "o maior cartão de visita". E é muito difícil prevê-los com tanta antecipação. Mas, mesmo que não se trate de um "super" El Niño, ainda poderá haver consequências extremas. Isso ocorre porque nunca foi vivenciado o El Niño em um planeta já tão aquecido pelas mudanças climáticas, causadas pela atividade humana. As temperaturas normalmente disparam durante os anos de El Niño, talvez em até 0,2°C, no caso de eventos fortes. O ano de 2027, muito provavelmente, será o ano mais quente já registrado, afirma o Berkeley Earth. Fonte: News Brasil. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.