09/Jun/2026
As mudanças climáticas, a gestão de pessoas, a geopolítica e o comércio internacional são os temas de maior potencial de risco para o agronegócio em 2026. Os dados constam no estudo "Top 10 riscos e oportunidades no agro em 2026", com recorte para o Brasil, divulgado pela empresa de auditoria e consultoria EY nesta segunda-feira (08/06). De acordo com o levantamento, 79% dos entrevistados classificam as ameaças das mudanças climáticas como altas ou muito altas. Secas, enchentes, geadas, furacões e granizo causam volatilidade produtiva e afetam as margens financeiras ao longo das cadeias, gerando perturbações no abastecimento global de alimentos e de biocombustíveis. A alteração de práticas de produção, com investimentos em manejo de solo, sistemas de irrigação e seleção de variedades de cultivos, e ações conjuntas entre produtores, indústrias, tradings e distribuidores podem mitigar os riscos.
A gestão de pessoas ocupa a segunda posição no ranking de preocupações. O relatório indica um déficit de profissionais qualificados para operar drones, sensores, sistemas digitais, automação e agricultura de precisão. A baixa escolaridade de parte dos trabalhadores restringe o potencial de evolução técnica. Na terceira posição, a geopolítica e o comércio internacional afetam as margens das safras em função de disputas comerciais, choques de insumos e guerras. O estudo cita o fechamento do Estreito de Ormuz como exemplo de evento com efeitos negativos sobre a logística, fretes marítimos, seguros e preços de combustíveis e fertilizantes. Nas últimas décadas, o Brasil se consolidou como uma potência exportadora de produtos agrícolas, liderando o saldo comercial em diversas cadeias e fazendo do agronegócio o principal responsável pelo superávit da balança comercial do País.
No entanto, a contrapartida desse sucesso é um grau elevado de dependência das exportações e do ambiente geopolítico. Outro fator de risco mapeado é a imposição de barreiras não tarifárias e embargos sanitários. O estudo menciona a ocorrência de gripe aviária no País, que levou à suspensão temporária de importações por causa de acordos comerciais que não previam a regionalização de embargos, gerando restrições amplas mesmo com o problema localizado. Para reduzir a exposição a choques internacionais, a recomendação é diversificar mercados compradores e fontes de suprimento de insumos. O quarto tema de maior preocupação do setor são a política e as reformas e regulações governamentais. O avanço da reforma tributária é apontado como um elemento que exige das empresas capacidade de adaptação na apuração de tributos e na reorganização das cadeias produtivas.
O levantamento apresenta estimativas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) indicando que o Estado brasileiro apresenta um dos menores índices de apoio aos produtores nas Américas. O estudo aponta também a interferência de políticas energéticas na produção de biocombustíveis como etanol, biodiesel e combustível sustentável de aviação (SAF). No mercado externo, políticas ambientais ligadas a desmatamento, emissões e rastreabilidade afetam o acesso a mercados compradores. A tecnologia, a transformação digital e a inovação ocupam o quinto lugar. O setor relata menor nível de preparação nesta área, embora o mercado conte com agtechs atuando em segmentos como financeiro, genética, saúde animal e marketplace de insumos. A gestão de riscos financeiros e do mercado de commodities surge na sexta colocação, puxada por oscilações de câmbio e choques de produção e consumo.
Em seguida vem a produtividade, o controle de custos e a eficiência na gestão de ativos como sétimo risco. A logística, infraestrutura de transporte, armazenagem e distribuição ocupam a oitava posição. A capacidade de armazenagem instalada atende a 61,7% da safra de grãos prevista para 2026. Os temas de ética, compliance e controles internos figuram na nona posição, impulsionados pelas exigências socioambientais, regras antidesmatamento e critérios para concessão de crédito. A estratégia de crescimento e o acesso a capital fecham a lista em décimo lugar, em razão de um ambiente de crédito com maior custo, precificação de risco e exigência de garantias. Os Fiagros e os modelos de barter digital aparecem como alternativas para o financiamento por meio do mercado de capitais. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.