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09/Jun/2026

Brasil intensificará negociações tarifárias com EUA

O governo brasileiro pretende intensificar as negociações com os Estados Unidos para evitar a entrada em vigor da tarifa adicional de 25% sobre produtos importados do Brasil, prevista para 15 de julho. A medida foi anunciada pelo governo norte-americano no contexto de uma investigação relacionada a supostas práticas comerciais consideradas desleais. Segundo estimativas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aproximadamente 21% das exportações brasileiras poderão ser afetadas pela nova sobretaxa. A avaliação do governo é de que os impactos diretos sobre o agronegócio tendem a ser limitados, uma vez que grande parte dos produtos agropecuários brasileiros exportados aos Estados Unidos não está incluída entre os segmentos mais expostos à medida.

O governo brasileiro argumenta que a relação comercial bilateral apresenta características distintas em comparação a outros parceiros dos Estados Unidos. Os norte-americanos registram superávit comercial com o Brasil, situação compartilhada por poucos países entre os integrantes do G20. Considerando bens e serviços, o saldo favorável aos Estados Unidos teria alcançado cerca de US$ 40 bilhões no último ano. Outro ponto destacado pelo governo refere-se ao nível de abertura comercial entre os dois países. Entre os dez principais produtos exportados pelos Estados Unidos ao Brasil, oito possuem isenção tarifária, enquanto a tarifa média aplicada pelo Brasil aos produtos norte-americanos é estimada em 3,1%. Paralelamente às negociações comerciais, o governo federal reforça mecanismos de apoio às empresas potencialmente afetadas por oscilações no comércio exterior.

A segunda fase do programa Brasil Soberano prevê R$ 15 bilhões em crédito para empresas impactadas por instabilidades nas exportações. O programa contempla companhias que tenham pelo menos 1% do faturamento afetado por dificuldades nas vendas externas, além de empresas integrantes das cadeias de fornecimento ligadas ao setor exportador. Os recursos podem ser destinados ao financiamento de capital de giro, aquisição de bens de capital e realização de investimentos produtivos. O avanço das negociações entre Brasil e Estados Unidos será acompanhado de perto pelos setores industriais e agropecuários, uma vez que eventuais mudanças nas condições de acesso ao mercado norte-americano podem influenciar fluxos comerciais, investimentos e estratégias de exportação ao longo dos próximos meses. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.