09/Jun/2026
A Bahia Farm Show 2026, realizada em Luís Eduardo Magalhães, no oeste da Bahia, inicia sua 20ª edição em um ambiente de desafios para o agronegócio brasileiro. A feira acontece de 8 a 13 de junho. O setor enfrenta juros elevados, restrição na oferta de crédito e aumento do endividamento dos produtores rurais, fatores que tendem a limitar a realização de novos investimentos em expansão de áreas, renovação de máquinas, armazenagem e adoção de tecnologias. Apesar desse cenário, a Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba) avalia que a disponibilidade de oportunidades de financiamento e a elevada produtividade regional podem sustentar a geração de negócios durante a feira. O ambiente observado na Bahia Farm Show acompanha a realidade das demais feiras agropecuárias realizadas em 2026, marcadas por menor disposição dos produtores para ampliar investimentos diante da combinação de crédito mais caro e preços menos favoráveis para diversas commodities agrícolas.
Como fator de sustentação, o oeste baiano registra sua terceira safra consecutiva de elevada produção de grãos e fibras. A área cultivada na safra 2025/26 alcançou 3,02 milhões de hectares, dos quais aproximadamente 67% destinados à soja. A produção total de grãos da região está estimada em 14,60 milhões de toneladas. A produtividade das lavouras permanece entre as mais elevadas do País. A soja deverá encerrar o ciclo com rendimento médio de 71 sacas por hectare, acima da média nacional estimada entre 61 e 62 sacas de 60 Kg por hectare, em uma área próxima de 2,2 milhões de hectares. No milho, a produtividade média é estimada em 187 sacas de 60 Kg por hectare. As lavouras de algodão apresentam rendimento próximo de 2 mil quilos por hectare de pluma. Os elevados níveis de produtividade têm permitido a manutenção da atividade agrícola mesmo em um contexto de margens mais pressionadas.
A programação de abertura contou com a presença do vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, do ministro da Agricultura, André de Paula, e do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Os organizadores esperam anúncios relacionados a linhas de crédito e financiamento para aquisição de máquinas, equipamentos e estruturas de armazenagem. O evento ocorre simultaneamente às discussões do governo federal sobre o Plano Safra 2026/27. Entre os temas prioritários para os produtores da região estão a ampliação da oferta de crédito rural, melhores condições de financiamento e o fortalecimento de mecanismos alternativos, incluindo operações dolarizadas, cada vez mais utilizadas por produtores em razão da forte vocação exportadora da região. A expectativa da organização é repetir o desempenho comercial observado nas edições anteriores. Em 2024, a feira movimentou R$ 10,949 bilhões em negócios.
Para 2026, a estratégia de estímulo às negociações inclui a ampliação da infraestrutura do parque de exposições. O número de expositores chegará a 550 empresas, enquanto a área do evento foi ampliada em 35%, alcançando 380 mil metros quadrados. A previsão é receber aproximadamente 162 mil visitantes ao longo da programação. Pela primeira vez, a feira contará com uma área dedicada à pecuária, incluindo a realização de leilões de animais. Entre as principais demandas que serão apresentadas ao governo federal está a inclusão dos produtores adimplentes nos programas de renegociação das dívidas rurais atualmente debatidos no Congresso Nacional. O setor argumenta que muitos produtores mantiveram seus compromissos financeiros em dia, mas enfrentam as mesmas dificuldades dos inadimplentes em razão da queda dos preços agrícolas, dos elevados custos de produção e das altas taxas de juros.
A proposta inclui mecanismos de alongamento dos prazos de pagamento, carência e reestruturação financeira para preservar a capacidade produtiva do setor. O agronegócio baiano também pretende reforçar reivindicações relacionadas à infraestrutura logística. Entre os projetos considerados prioritários estão a duplicação da BR-242, importante corredor de escoamento da produção agrícola para os portos brasileiros, e a conclusão da Ferrovia de Integração Oeste-Leste (Fiol), que ligará Ilhéus (BA) a Figueirópolis (TO). Segundo o setor produtivo, a Fiol apresenta aproximadamente 70% das obras concluídas e é considerada estratégica para ampliar a competitividade das exportações brasileiras, especialmente quando integrada à Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e à Ferrogrão. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.