08/Jun/2026
O dólar encerrou acima de R$ 5,15 no mercado brasileiro na sexta-feira (05/06), impulsionado pela divulgação de indicadores econômicos mais fortes que o esperado nos Estados Unidos e pelo aumento das expectativas de manutenção de juros elevados pelo Federal Reserve (Fed. o banco central norte-americano). A moeda norte-americana fechou a R$ 5,15, com valorização de 1,76% no dia, alcançando o maior nível desde 2 de abril. Na semana passada, a alta acumulada foi de 2,18%, enquanto no acumulado de 2026 a moeda ainda registra recuo de 6,08%. O principal fator de sustentação da moeda norte-americana foi a divulgação dos dados de emprego dos Estados Unidos. O Departamento do Trabalho informou a criação de 172 mil vagas em maio, resultado significativamente superior às expectativas do mercado, que projetavam 85 mil postos de trabalho. Além disso, o número de empregos gerados em abril foi revisado de 115 mil para 179 mil vagas.
Os dados reforçaram a percepção de que a economia norte-americana continua apresentando resiliência, reduzindo a necessidade de flexibilização monetária no curto prazo. Como consequência, aumentaram as apostas de que o Federal Reserve poderá promover ao menos uma nova elevação dos juros ainda em 2026. Após a divulgação dos números, os contratos futuros de juros dos Estados Unidos passaram a indicar probabilidade próxima de 100% para pelo menos uma alta adicional das taxas até o final do ano. O movimento impulsionou os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano, fortaleceu o dólar globalmente e pressionou ativos de maior risco. Nesse ambiente, o Real apresentou um dos piores desempenhos entre as principais moedas globais. A valorização do dólar foi favorecida pela redução do diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, fator que tende a diminuir a atratividade relativa dos ativos brasileiros para investidores estrangeiros.
O cenário geopolítico também permaneceu no radar dos mercados. A continuidade das tensões no Oriente Médio, especialmente diante das dificuldades para avançar em negociações envolvendo Israel, Hezbollah, Irã e Estados Unidos, reforçou a busca por ativos considerados mais seguros, como o dólar e os títulos do Tesouro norte-americano. No mercado internacional, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a uma cesta de seis moedas fortes, avançou 0,67%, encerrando o dia aos 100,100 pontos. Para o mercado brasileiro, a trajetória do câmbio continuará fortemente condicionada à evolução da política monetária norte-americana e ao ambiente geopolítico global. A combinação de juros elevados nos Estados Unidos e aumento da aversão ao risco tende a sustentar a demanda por dólar e a limitar o fluxo de capitais para mercados emergentes nos próximos meses. Fonte: Reuters. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.