05/Jun/2026
O Escritório Comercial dos Estados Unidos (USTR) propôs a criação de tarifas de importação adicionais ao Brasil, à União Europeia e a outros 58 países devido à “falha em impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado”. Segundo o órgão, a prática “onera ou restringe” o comércio norte-americano. No caso do Brasil e de outros 54 países, a nova taxação será de 12,5%. Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia serão submetidos a uma taxa de 10%, por causa da tentativa de impedir a importação de produtos que teriam mão-de-obra irregular. A decisão foi publicada no final da noite da terça-feira (02/06), e resulta de uma investigação contra a importação de bens produzidos com trabalho análogo à escravidão. O anúncio já era esperado por empresários brasileiros. Caso seja aplicada, a cobrança, no caso do Brasil, se somaria à tarifa de 25% anunciada pelo USTR na véspera, como resultado de uma investigação sobre as práticas comerciais do Brasil.
De acordo com o representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado acarretam um cenário no qual o comércio norte-americano compete em desvantagem em nível global. As tarifas adicionais de importação contra 60 parceiros comerciais que teriam feito uso de trabalho forçado permitem que o governo norte-americano contorne os limites impostos pela Suprema Corte no início do ano à política tarifária do governo de Donald Trump. Assim como a investigação do órgão que resultou na proposta de taxação de 25% sobre produtos brasileiros, como punição por práticas comerciais consideradas "incoerentes", o novo tarifaço tem como base a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. “A falha de nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de bens feitos com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais”, disse o embaixador do USTR, Jamieson Greer.
Greer acrescentou que "cada um de nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não incentive e consolide perversamente o trabalho forçado globalmente.” A nova onda de taxação atinge parceiros comerciais que já haviam assinado acordos ou estavam em negociações avançadas com os Estados Unidos desde que Donald Trump adotou uma política tarifária agressiva ao voltar ao poder, no início do ano passado. Há apenas duas semanas, a União Europeia aprovou um acordo com os Estados Unidos para limitar as tarifas sobre a maioria das exportações para o mercado americano a 15%. Na mesma época, Trump discutiu com o presidente da China, Xi Jinping, durante visita a Pequim, a expansão do acesso ao mercado chinês para empresas norte-americanas e o aumento do investimento chinês em indústrias dos Estados Unidos. A Suprema Corte decidiu em fevereiro que Trump havia excedido a autoridade presidencial ao usar uma lei de 1977 para impor uma série de tarifas sobre produtos de parceiros comerciais, no ano passado. O novo tarifaço não entrará em vigor imediatamente. O processo sobre o trabalho forçado ainda está sujeito a comentários públicos e revisões. Confira a lista dos afetados pela nova tarifa:
África do Sul
Argélia
Angola
Arábia Saudita
Argentina
Austrália
Bahamas
Bahrein
Bangladesh
Brasil
Camboja
Canadá
Catar
Cazaquistão
Chile
China
Colômbia
Coreia do Sul
Costa Rica
Egito
El Salvador
Emirados Árabes Unidos (EAU)
Equador
Filipinas
Guatemala
Guiana
Honduras
Hong Kong
Índia
Indonésia
Iraque
Israel
Japão
Jordânia
Kuwait
Líbia
Malásia
Marrocos
México
Nicarágua
Nigéria
Noruega
Nova Zelândia
Omã
Paquistão
Peru
Reino Unido
República Dominicana
Rússia
Singapura
Sri Lanka
Suíça
Tailândia
Taiwan
Trinidad e Tobago
Turquia
União Europeia
Uruguai
Venezuela
Vietnã
Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.