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03/Jun/2026

Meio Ambiente: bitucas de cigarro lideram lixo global

Segundo estudo da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), as bitucas de cigarro são apontadas como o tipo de lixo mais comum no planeta, com estimativa de pelo menos 4,5 trilhões de unidades descartadas de forma inadequada por ano. O volume representa um risco relevante à saúde humana, à fauna e ao meio ambiente, diante da alta disseminação de resíduos tóxicos e de difícil degradação. O levantamento reúne análise de 130 pesquisas realizadas em 55 países entre 2013 e 2024 e foi publicado na revista Environmental Chemistry Letters. O estudo identifica ainda oito pontos da costa brasileira com níveis extremamente elevados de contaminação por bitucas, incluindo áreas nos municípios de Santos e Guarujá, no estado de São Paulo. Para mensurar a poluição, pesquisadores do Instituto do Mar da Unifesp desenvolveram o Índice de Contaminação por Bitucas de Cigarro (ICBC), que calcula a densidade de guimbas por metro quadrado. A partir desse indicador, foram identificadas as regiões mais contaminadas do mundo, com destaque para países da América do Sul, Europa e Oriente Médio.

Entre os países avaliados, o Irã apresenta a maior concentração média, com 38 bitucas por metro quadrado. No conjunto global, praias de Brasil, Chile, Uruguai e Equador figuram entre as mais afetadas, com casos em que mais da metade do lixo encontrado em áreas litorâneas é composta por filtros de cigarro. No Brasil, a contaminação média é de cerca de oito bitucas por metro quadrado em oito pontos da costa, distribuídos entre Rio Grande do Norte, Pernambuco, Rio de Janeiro e São Paulo. Os dados indicam ainda que áreas de conservação apresentam densidade de resíduos até cinco vezes menor em relação a regiões não protegidas, embora ainda sejam registradas ocorrências em zonas de preservação com alta circulação turística ou baixa fiscalização. O cigarro contém milhares de compostos químicos, sendo parte deles tóxicos e cancerígenos. O filtro, composto por polímero, não é totalmente biodegradável e pode se fragmentar em microplásticos, com potencial de contaminação de ecossistemas marinhos e entrada na cadeia alimentar humana.

A estimativa de 4,5 trilhões de bitucas descartadas anualmente é baseada em dados compilados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), considerando um universo de aproximadamente 12 trilhões de cigarros consumidos por ano no mundo. O cenário é agravado pelo fato de que os contaminantes presentes nas bitucas se dispersam rapidamente em contato com a água, podendo gerar efeitos tóxicos em curto prazo para espécies aquáticas. O levantamento também indica que, apesar da redução global do número de fumantes nas últimas décadas, ainda existem cerca de 1,2 bilhão de fumantes no mundo, o equivalente a quase 20% da população global. O estudo recomenda medidas como redução do tabagismo, ampliação da fiscalização ambiental, restrição ao descarte em áreas públicas, campanhas educativas e maior responsabilização da cadeia produtiva do tabaco. As conclusões também são direcionadas a negociações internacionais sobre poluição plástica e políticas locais de controle ambiental em praias e parques. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.