03/Jun/2026
O governo federal pretende adotar medidas para reduzir os impactos da eventual extinção da escala de trabalho 6x1 sobre o agronegócio. A sinalização foi feita pelo ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, durante reunião do Conselho do Agronegócio da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). Segundo o ministro, o governo mantém posição favorável à redução da jornada de trabalho, mas reconhece a necessidade de ajustes para acomodar as particularidades dos diferentes setores da economia, especialmente aqueles que operam em regime contínuo ou dependem de períodos concentrados de atividade. A discussão ocorre após a aprovação, pela Câmara dos Deputados, da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de seis dias de trabalho para um de descanso e reduz a jornada semanal de 44 para 40 horas. O texto prevê um período de transição de 14 meses e agora aguarda análise do Senado Federal.
O agronegócio acompanha a tramitação com atenção devido às características operacionais de diversas atividades produtivas. Segmentos como cultivo agrícola, colheita, processamento industrial, logística, transporte e produção animal dependem de escalas contínuas e de forte concentração de mão de obra em determinadas épocas do ano. Representantes do setor avaliam que a redução da jornada poderá elevar a necessidade de contratação de trabalhadores para manter os níveis atuais de produção. Estimativas apresentadas por lideranças do agronegócio apontam que usinas sucroenergéticas e frigoríficos estariam entre os segmentos mais impactados, diante da necessidade de ampliação de equipes e reorganização dos turnos de trabalho. O ministro não detalhou quais mecanismos poderão ser discutidos para reduzir os efeitos da mudança sobre o setor, mas indicou que eventuais adaptações serão avaliadas durante o processo de regulamentação e implementação da nova jornada.
No Senado, parlamentares defendem a ampliação do debate sobre os impactos econômicos da proposta. Entre os temas em discussão estão os efeitos sobre custos de produção, geração de empregos, produtividade e organização das escalas de trabalho em setores com operações ininterruptas. A expectativa do governo é que a PEC seja apreciada pelos senadores antes do recesso parlamentar de julho. Até lá, entidades representativas do agronegócio, da indústria e dos serviços devem intensificar as discussões sobre possíveis mecanismos de adaptação para os diferentes segmentos da economia. Para o agronegócio, o principal desafio será conciliar a redução da jornada com a manutenção da competitividade, da eficiência operacional e da disponibilidade de mão de obra em atividades que exigem funcionamento contínuo ou que dependem de janelas específicas para execução das operações. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.