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01/Jun/2026

El Niño já muda plano de empresas do Agronegócio

Embora a ocorrência do fenômeno climático El Niño ainda não esteja cravada, a possibilidade de o evento se concretizar faz com que grandes empresas produtoras de grãos avaliem alternativas aos cultivos mais sensíveis. A 3tentos, por exemplo, que ampliou sua presença em Mato Grosso e está prestes a iniciar sua primeira operação de etanol de milho no Estado, vê possibilidade de aumento da demanda por sorgo se a janela de chuvas ficar mais curta para o milho 2a safra de 2026 com ocorrência do fenômeno climático.

O sorgo pode funcionar como alternativa para produtores que perderem o período ideal do milho. Já se observa um crescimento importante no interesse e na demanda por sorgo. O sorgo tende a entrar quando o calendário deixa de ser confortável para o milho. À medida que a janela for saindo da ótima, o produtor já migra para plantar sorgo, que demanda menos chuva, é mais rústico e tem investimento menor. A mudança também interessa à indústria. A planta de etanol da 3tentos em Porto Alegre do Norte (MT), com capacidade para processar 2,8 mil toneladas de milho por dia quando atingir plena operação, também pode usar sorgo como matéria-prima, que é viável para a produção de etanol.

Na BrasilAgro, o possível El Niño também entrou no planejamento da próxima temporada. A companhia deve fazer mudanças no plantio de grãos na safra 2026/27. A empresa não espera chuvas no começo de outubro e terá de avaliar com mais cuidado áreas com menor cobertura de solo. Áreas onde não tem palhada ideal, ou vão sair do sistema, ou vão ser plantadas a posteriori. A palhada é a cobertura vegetal que fica sobre o solo depois da colheita anterior. Na prática, ajuda a conservar umidade, reduzir a temperatura e melhorar a germinação quando a chuva é irregular. Por isso, áreas mais bem cobertas tendem a suportar melhor um começo de safra incerto. Uma área com boa palhada e 70 milímetros de chuva em outubro tem condições de germinar bem. Nas demais, a companhia poderá mudar o destino. Pode ser, por exemplo, plantio de milho, que tem janela de plantio mais tarde.

Na SLC Agrícola, uma das maiores produtoras de grãos e algodão do País, a resposta ao risco climático passa pelo custo. A companhia deve avaliar fazenda por fazenda para ajustar o pacote de fertilizantes nas áreas com maior risco. A estratégia é trabalhar cada fazenda, analisar cada cultura e tentar mitigar riscos, ajustar o pacote de fertilizantes buscando economizar. E, se não chover, tem redução de custos. A estratégia busca preservar margem em um ano no qual o clima exige cautela e os insumos seguem pressionados, especialmente os nitrogenados, cujos preços subiram com o impacto do conflito no Irã sobre o mercado de gás natural. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.