ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

01/Jun/2026

PIB da Agropecuária: revisada projeção para 2026

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) elevou sua estimativa preliminar de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da agropecuária brasileira em 2026 para 2,8%. A revisão ocorre após o resultado do primeiro trimestre divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora a entidade ainda preveja novos ajustes nas projeções ao longo do ano. Em março, a CNA projetava expansão de 1,22% para o PIB agropecuário. No início de maio, a estimativa foi elevada para 3,5% e agora ajustada para 2,8%. A entidade destaca que o desempenho segue positivo mesmo sobre uma base elevada registrada em 2025. O principal vetor de sustentação do resultado continua sendo a safra de grãos, especialmente a soja, que apresentou desempenho favorável no primeiro trimestre. Além da oleaginosa, contribuíram positivamente para a atividade agropecuária o avanço das produções de café, girassol, castanha, mamona e cacau.

Em contrapartida, feijão, arroz, algodão, trigo e milho exerceram pressão negativa sobre o desempenho agrícola. No segmento pecuário, o cenário segue mais incerto diante de fatores externos e geopolíticos. Entre os pontos de atenção estão as salvaguardas chinesas para carne bovina, as restrições da União Europeia às proteínas animais brasileiras e os efeitos da instabilidade no Oriente Médio sobre fertilizantes, logística e comércio internacional. A entidade também observa desaceleração no ritmo de abates após um primeiro trimestre mais forte. Além disso, acompanha os impactos do limite das cotas de exportação de carne bovina para a China sem sobretaxa e possíveis novas restrições comerciais internacionais. No primeiro trimestre de 2026, o PIB da agropecuária cresceu 0,7%, resultado levemente acima da expectativa inicial. A safra de soja apresentou desempenho positivo mesmo diante da elevada base de comparação de 2025.

O crescimento dos abates também contribuiu para o avanço da atividade no período. Para o segundo trimestre, a expectativa é de estabilidade em relação ao mesmo período do ano passado, também marcado por base elevada. Entre os fatores positivos esperados estão as maiores produções de milho, café e cana-de-açúcar. A CNA projeta crescimento de 1,9% para o PIB brasileiro em 2026, abaixo da expansão de 2,3% observada em 2025. Pelo lado da demanda, o crescimento econômico segue sustentado por estímulos governamentais, como medidas relacionadas ao imposto de renda e à liberação de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). Na oferta, a indústria extrativa, especialmente petróleo, óleo e gás, tende a sustentar parte do crescimento nacional. Com expansão inferior à dos demais setores da economia, a participação da agropecuária no PIB brasileiro deve recuar de 7,54% em 2025 para um intervalo entre 7,1% e 7,2% em 2026.

Sazonalmente, o PIB agropecuário costuma apresentar desempenho mais forte no primeiro trimestre, impulsionado pela colheita da safra de verão, seguido por arrefecimento no segundo trimestre, enfraquecimento no terceiro e retomada no quarto trimestre com culturas de inverno e aumento dos abates. Entre os fatores de risco para 2026, a entidade cita incertezas climáticas relacionadas à possível formação de El Niño no segundo semestre, além da volatilidade cambial, juros elevados, crescimento das tensões geopolíticas, custos de fertilizantes, redução do poder de compra das famílias e desaceleração do crescimento real da renda. A possível formação de El Niño no segundo semestre preocupa principalmente em relação à safra 2026/27, especialmente as culturas de verão que serão colhidas a partir de janeiro de 2027 e poderão influenciar diretamente o desempenho do PIB agropecuário no próximo ano. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.