01/Jun/2026
Segundo a Moody’s Ratings, a América Latina apresenta exposição direta limitada a um eventual fechamento do Estreito de Ormuz, mas pode enfrentar pressões de crédito de forma indireta caso a crise resulte em manutenção de mercados globais de energia mais pressionados. A região depende de forma reduzida do fornecimento de petróleo dos países do Golfo Pérsico, sendo em grande parte autossuficiente em energia. Apesar disso, um cenário de preços mais altos e voláteis de petróleo e derivados, combinado a condições financeiras globais mais restritivas e menor apetite por risco, tende a agravar desafios para empresas e governos latino-americanos. Entre os principais canais de transmissão, o aumento do custo do diesel, com impacto direto sobre transporte e alimentos, o que pode intensificar pressões inflacionárias. Esse movimento pode levar ao adiamento ou interrupção de ciclos de redução de juros na região, prolongando o período de taxas elevadas e dificultando a consolidação fiscal.
No campo fiscal, há um dilema para governos entre repassar integralmente o aumento de custos aos preços finais, com risco de elevação de tensões sociais, ou adotar mecanismos de compensação via subsídios, o que poderia ampliar déficits públicos. Para empresas não financeiras, os efeitos são considerados predominantemente indiretos, via aumento de custos operacionais e encarecimento do financiamento. Os riscos são mais relevantes em setores intensivos em energia, como aviação, química e materiais de construção. No segmento de commodities, há indicação de pressão sobre margens devido ao aumento de custos logísticos, de frete e de energia, além de maior volatilidade da demanda global, com impacto sobre materiais cíclicos, especialmente metais de alta intensidade energética. Em infraestrutura, o cenário descrito inclui riscos associados a energia mais cara, juros elevados, inflação persistente e menor ritmo de crescimento econômico. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.