28/May/2026
As projeções climáticas internacionais reforçam a formação de um novo episódio de El Niño ao longo de 2026, com aumento gradual do risco de um evento de forte intensidade até o fim do ano e início de 2027. As análises mais recentes da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) e de instituições meteorológicas indicam aquecimento persistente das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial, especialmente na região Niño 3.4, referência global para monitoramento do fenômeno. A NOAA projeta 96% de probabilidade de permanência do El Niño entre dezembro de 2026 e fevereiro de 2027. Em maio, a chance de o aquecimento das águas ultrapassar 2°C acima da média histórica, patamar associado a episódios muito fortes, subiu para 37%, ante 25% em abril. Embora ainda não exista consenso sobre a classificação de um eventual “super El Niño”, modelos climáticos norte-americanos e europeus passaram a indicar cenários mais intensos nas últimas semanas, alguns projetando anomalias próximas de 3°C.
Historicamente, episódios muito fortes de El Niño foram registrados em 1972/73, 1982/83, 1997/98, 2015/16 e, para parte da comunidade científica, também em 2023/24. O evento de 2015/16 atingiu pico de 2,6°C acima da média no Pacífico Equatorial, o maior da série moderna. Já o fenômeno de 2023/24 alcançou aproximadamente 2°C, ficando no limite da classificação de evento extremo. O intervalo entre episódios intensos vem diminuindo nas últimas décadas. Entre 1997/98 e 2015/16 houve intervalo de 18 anos. Já entre 2015/16 e 2023/24 foram apenas oito anos. Caso um novo evento muito forte se confirme em 2026/27, o intervalo cairá para cerca de três anos, movimento considerado compatível com projeções associadas ao aquecimento global e ao aumento da variabilidade climática. O fenômeno altera padrões atmosféricos globais ao transferir calor do oceano para a atmosfera, modificando regimes de chuva, temperatura e circulação de ventos em diferentes regiões do planeta.
Nos Estados Unidos, episódios de El Niño normalmente elevam os volumes de chuva na Califórnia. Em contrapartida, regiões da África, Austrália, Índia e parte da América do Sul tendem a enfrentar redução de precipitações. No Brasil, os impactos mais recorrentes incluem aumento das chuvas no Sul e redução das precipitações no Norte e Nordeste. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) avalia que um evento forte poderá ampliar o risco de enchentes, enxurradas e deslizamentos no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, especialmente entre primavera e verão. Paralelamente, há expectativa de agravamento da seca na Amazônia e no Nordeste, além de maior frequência de ondas de calor e incêndios florestais no Pantanal e na floresta amazônica. O Rio Grande do Sul aparece nos estudos recentes como a área de maior sinalização de risco hidrológico. Em 2024, o Estado registrou enchentes históricas associadas à combinação entre El Niño e condições atmosféricas extremas.
No Norte do País, os eventos recentes também provocaram níveis mínimos históricos em rios amazônicos, comprometendo logística, abastecimento e geração hidrelétrica. Apesar do aumento das probabilidades, os centros meteorológicos destacam que ainda existe elevada incerteza sobre a intensidade final do fenômeno. A NOAA ressalta que o forte acoplamento entre oceano e atmosfera, característica típica dos eventos extremos, ainda não foi plenamente observado em 2026. A expectativa é de que as projeções ganhem maior precisão a partir de junho, com a redução da chamada barreira de previsibilidade climática do Hemisfério Norte. Para o agronegócio brasileiro, o monitoramento climático ganha relevância diante dos impactos potenciais sobre produtividade, logística, disponibilidade hídrica e risco fitossanitário. Culturas como soja, milho, café, cana-de-açúcar e pecuária tendem a responder de forma distinta conforme a intensidade e a distribuição regional das chuvas ao longo do ciclo 2026/27. Fonte: Canal Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.