28/May/2026
Segundo a consultoria Blue Line Futures, a continuidade das negociações entre Estados Unidos e Irã deverá ser decisiva para a manutenção do movimento de queda observado recentemente nos mercados de petróleo e grãos. Soja, milho e trigo devolveram parte dos prêmios acumulados nas últimas semanas na Bolsa de Chicago, acompanhando principalmente o recuo do petróleo diante das expectativas de avanço diplomático entre os dois países. O mercado agrícola permaneceu fortemente correlacionado ao comportamento da energia nas últimas semanas. Nesse contexto, um eventual acordo entre Estados Unidos e Irã poderia consolidar a redução das tensões geopolíticas e contribuir para a normalização do fluxo marítimo no Estreito de Ormuz, pressionando as cotações do petróleo e, consequentemente, dos grãos.
Por outro lado, a ausência de acordo pode provocar retomada das altas no petróleo, com reflexos diretos sobre soja, milho e trigo. No mercado de soja, ainda persistem preocupações relacionadas à possível migração de área plantada nos Estados Unidos e à oferta limitada da safra velha norte-americana. Os contratos futuros encontram suporte em importantes níveis técnicos formados entre março e abril, fator que pode limitar novas quedas no curto prazo. No milho, a avaliação é de que o mercado retirou excesso de prêmio das cotações nas últimas sessões. Os contratos voltaram a testar uma linha de tendência construída desde as mínimas registradas em janeiro, enquanto o clima nos Estados Unidos volta a ganhar relevância para a formação dos preços.
As previsões meteorológicas indicam temperaturas acima da média e condições mais secas no Meio Oeste norte-americano nas próximas duas semanas, cenário que pode elevar novamente a volatilidade do mercado agrícola. Soja e milho apresentam espaço limitado para novas quedas relevantes no curto prazo, especialmente diante das incertezas climáticas durante o desenvolvimento das lavouras norte-americanas. Para o trigo, o cenário permanece mais pressionado. Parte dos riscos climáticos e das incertezas produtivas já foi incorporada aos preços, enquanto o avanço da colheita da nova safra nos Estados Unidos tende a ampliar a oferta disponível no mercado. A manutenção de níveis técnicos considerados estratégicos será fundamental para evitar deterioração adicional das cotações do cereal nas próximas semanas.
Os contratos futuros de soja na Bolsa de Chicago seguem pressionados pela queda do petróleo, em meio às expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã e possível normalização do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz. Apesar disso, a AgResource avalia que o mercado agrícola começa a direcionar maior atenção para as condições climáticas nos Estados Unidos e para o potencial aperto nos balanços globais de oferta e demanda entre 2026 e 2028. Soja, milho e trigo voltaram a acompanhar o comportamento do mercado de energia após relatos sobre um possível memorando entre Estados Unidos e Irã que poderia restabelecer o tráfego no Estreito de Ormuz em até 30 dias após eventual acordo diplomático. Nesse cenário, o petróleo recuou cerca de US$ 5,50 por barril, aproximando-se de US$ 88,00 por barril.
No curto prazo, a dinâmica do mercado agrícola permanece fortemente ligada ao comportamento do setor energético. A eventual reabertura do Estreito de Ormuz reduziria pressões sobre petróleo, gasolina e etanol, afetando diretamente as margens do biocombustível e, consequentemente, os preços dos grãos. Ao mesmo tempo, os balanços globais de soja, milho e trigo tendem a ficar mais ajustados nos próximos anos, especialmente após o anúncio de ampliação das compras chinesas de produtos agrícolas norte-americanos. Nesse contexto, as condições climáticas passam a ter papel central na sustentação da oferta global. No milho, a combinação entre menor área plantada, demanda firme e exportações aquecidas alterou as perspectivas para os estoques dos Estados Unidos. Para manter estoques acima de 50,8 milhões de toneladas, a produtividade das lavouras norte-americanas precisaria permanecer entre 11,8 e 12,2 toneladas por hectare.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) poderá elevar as estimativas de exportações de milho norte-americano entre 1,27 milhão e 2,54 milhões de toneladas, no relatório de junho. As avaliações iniciais das lavouras de milho no Meio Oeste dos Estados Unidos permanecem favoráveis, com Iowa apresentando 82% das áreas em condições boas ou excelentes e Illinois registrando 67% nessa classificação. Ainda assim, a rápida perda de umidade no solo nas Dakotas e no norte do Meio Oeste, diante da manutenção de temperaturas acima da média até pelo menos 10 de junho. O mercado entra agora no período em que previsões climáticas, umidade do solo e condições das lavouras passam a influenciar diretamente a formação diária dos preços. No trigo, o cenário segue mais pressionado no curto prazo.
Europa e Rússia caminham para produções próximas da normalidade, enquanto diversos países importadores também devem registrar safras elevadas. A Turquia, tradicional compradora de trigo russo, poderá colher cerca de 21 milhões de toneladas, reduzindo a necessidade de importação e ampliando a disponibilidade exportável da Rússia no mercado global. Diante desse quadro, o mercado internacional de trigo tende a buscar aumento da demanda para absorver a oferta disponível, em vez de operar sob restrição de estoques. Os próximos meses deverão apresentar elevada volatilidade para os mercados agrícolas, diante da combinação entre clima nos Estados Unidos, comportamento da demanda chinesa, influência do El Niño, regime de monções na Índia e desenvolvimento da próxima safra brasileira. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.