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28/May/2026

Brasil alcança desenvolvimento humano “muito alto”

O Brasil chegou em 2024 pela primeira vez ao grupo de países com desenvolvimento humano “muito alto”. De acordo com relatório divulgado no dia 26 de maio, pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) foi de 0,805 (o valor varia de 0 a 1 e, quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento). Quando o programa das Nações Unidas começou a calcular esse índice, há 30 anos, o Brasil era um país de IDHM baixo, ou seja, menor que 0,555. Os resultados foram calculados a partir dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), considerando três indicadores: longevidade, taxa de escolaridade e renda da população. A série temporal analisada a partir de 2012 mostra que o IDHM Brasil cresceu de 0,744 para 0,805 em 2024, atingindo não apenas seu maior valor, mas colocando o País na faixa de “muito alto” desenvolvimento humano. Para atingir a faixa “muito alto”, é preciso estar acima de 0,800.

Esse crescimento ocorreu a despeito da diminuição do IDHM nos anos de 2020 e 2021, reflexo dos impactos da pandemia de Covid-19. No período da pandemia, todos os Estados brasileiros tiveram queda do IDHM, com o País registrando uma retração de 2,4% de 2019 para 2021. Com relação à renda da população, o Brasil teve uma trajetória de altos e baixos desde 2012 e a média anual de crescimento calculada ficou em 0,31%. A taxa de escolaridade foi o índice que mais evoluiu no período de 2012 a 2024, registrando um crescimento médio anual de 1,35%, apesar dos retrocessos causados pela pandemia. Nesse contexto, destaca-se programas como o Bolsa Família, que retira crianças do trabalho e dá a elas a condição da escola e a obrigatoriedade, também, de estar na escola. A longevidade, assim como as demais dimensões que compõem o IDHM, também foi afetada pela pandemia de Covid-19, mas ainda assim cresceu a uma média de 0,31% ao ano. Dos subíndices, a política pública de saúde é a que mais produz resultados positivos para o País, com performance de “muito alto desenvolvimento”.

Em 2012 esse índice estava em 0,829, em razão da consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo assim, é o que apresenta crescimento mais lento, hoje em 0,860. A mortalidade infantil é o indicador que mais preocupa o Pnud e que está atrelado a políticas públicas que precisam de uma resposta rápida. Não houve no País uma resposta suficientemente rápida no sentido dos impactos da Covid-19. De acordo com os dados do Pnud, as regiões metropolitanas são os locais onde os brasileiros vivem melhor e puxam o IDHM do País para cima. Alguns Estados, sobretudo das Regiões Sul e Sudeste, já têm IDH altíssimo, mas a média do Brasil é acompanhada por regiões metropolitanas que antes eram consideradas regiões da periferia brasileira. Como exemplo, a Grande Teresina, no Piauí, com índices muito altos de desenvolvimento humano: 0,809. Esses territórios que antes puxavam a média Brasil para baixo, porque não acompanhavam o ritmo de crescimento, agora são unidades que ajudam o País a alcançar a média ‘muito alta’.

Entre os nove Estados da Região Nordeste, sete regiões metropolitanas já apresentam IDH muito alto. Isso é algo inédito no Pnud. O País, no entanto, ainda é marcado por desigualdades regionais. Na Paraíba, por exemplo, 59,1% da população com 18 anos ou mais tem o ensino fundamental completo. No Distrito Federal, esse percentual sobe para 83,3%. A renda domiciliar per capita no Maranhão é de R$ 482,46, enquanto no Distrito Federal é de R$ 1.465,10. As desigualdades entre brancos e negros também persistem e continuam significativas em todas as regiões, embora a distância tenha diminuído ao longo da série de 2012 a 2024. Entre homens e mulheres, as disparidades também são marcantes quando se considera o IDHM ajustado pela renda. A imagem do progresso não pode ser dissociada da imagem da desigualdade. Os avanços foram significativos, mas distribuídos de forma desigual entre regiões, raças e entre mulheres e homens. O Brasil permanece preso em armadilhas de baixo dinamismo e padrões persistentes de exclusão, um quadro que se repete na maioria dos países da América Latina e do Caribe. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.