26/May/2026
Segundo o Ministério da Agricultura (Mapa), o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária neste ano deve atingir R$ 1,413 trilhão em 2026. O número é superior ao R$ 1,385 trilhão estimados pela Pasta no mês passado. Em relação ao ano passado, há queda de 4,2%. Também foi revisada a projeção referente ao ano de 2025, de R$ 1,440 trilhão para R$ 1,475 trilhão. A perspectiva de queda anual pode ser explicada pelo menor preço esperado para as commodities agrícolas neste ano e pela desaceleração da produtividade das lavouras. As projeções constam de boletim mensal da Secretaria de Política Agrícola do Ministério. Os dados foram compilados pelo Broadcast Agro. O VBP é o faturamento bruto dos estabelecimentos rurais, considerando a produção agrícola e pecuária e a média de preços recebidos pelos produtores rurais de todo o País. Do total previsto para 2026, R$ 905,089 bilhões devem vir das lavouras, equivalente a 64% do total e recuo estimado de 5,5% ante 2025. Outros R$ 507,437 bilhões estão relacionados à produção pecuária, correspondente a 36% do total e queda de 1,9% em comparação com o ano passado.
Na agricultura, é esperado crescimento neste ano apenas para o VBP das lavouras de banana, batata-inglesa, feijão e mandioca. Entre as principais culturas com participação no VBP, as lavouras de soja devem apresentar faturamento bruto 0,5% menor, para R$ 337,035 bilhões, enquanto o VBP do milho é estimado em R$ 161,694 bilhões, recuo anual de 5,4%. A receita bruta obtida com a produção de trigo deve somar R$ 8,678 bilhões, queda anual de 18,9%. Para as lavouras de café, a projeção é de VBP de R$ 111,428 bilhões, queda de 5,5% frente a 2025. O faturamento das lavouras de cana-de-açúcar, por sua vez, deve cair 7,5%, estima o ministério, para R$ 111,096 bilhões, enquanto o faturamento bruto das lavouras de laranja deve ceder 36,5%, para R$ 15,893 bilhões. O VBP das lavouras de algodão é estimado em R$ 32,339 bilhões, baixa anual de 11,7%. As previsões apontam ainda para recuo de 54,7% do VBP do cacau, para R$ 5,386 bilhões.
O VBP das lavouras de arroz deve diminuir 30,4%, para um faturamento bruto neste ano estimado em R$ 14,870 bilhões. A receita bruta do cultivo de feijão é projetada em R$ 13,500 bilhões, aumento de 11,7%. Na pecuária, o único crescimento deve ser observado na cadeia de bovinos, com aumento estimado de 8,8%, para um VBP projetado em R$ 246,431 bilhões. A produção bovina continua liderando o faturamento bruto da pecuária. O valor bruto da cadeia de suínos deve recuar 16,7%, para R$ 54,892 bilhões, enquanto o faturamento bruto da produção de frangos é projetado 10,4% abaixo do ano anterior, para R$ 105,668 bilhões. A receita bruta obtida com a produção de leite deve cair 5,5%, para R$ 72,460 bilhões. A produção de ovos deve apresentar VBP 8% menor, para R$ 27,986 bilhões. O VBP é projetado mensalmente pelo ministério. O número é calculado pelo cruzamento das informações de produção do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e dos preços coletados nas principais fontes oficiais. O estudo da pasta abrange 17 cadeias da agricultura e cinco atividades pecuárias.
Conforme projeção da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o Valor Bruto da Produção (VBP) agropecuária brasileira deve recuar 4,3% em 2026, para R$ 1,455 trilhão, ante R$ 1,521 trilhão registrados no ano anterior. O indicador é calculado com base na média dos preços reais recebidos pelos produtores rurais em todo o País. O recuo ocorre principalmente em razão da forte retração dos preços reais das commodities com maior participação no VBP, mesmo diante de desempenho produtivo favorável em grande parte das culturas analisadas. A estimativa atual supera a projeção divulgada pela entidade em abril, quando o VBP esperado para 2026 era de R$ 1,42 trilhão. Para a agricultura, a previsão é de faturamento bruto de R$ 940,7 bilhões, retração de 5,2% na comparação anual.
Entre os produtos agrícolas com maior impacto negativo no indicador estão o café robusta, com queda estimada de 25,2% no VBP, seguido pelo algodão em pluma, com retração de 12,5%, pelo milho, com recuo de 5,4%, e pela cana-de-açúcar, com baixa de 4,5%. A CNA projeta redução simultânea de preços e produção para algodão e milho na comparação anual. Para o café robusta e a cana-de-açúcar, a expectativa é de aumento da produção, porém insuficiente para compensar a queda nos preços. Entre as culturas com crescimento previsto no VBP, destacam-se o café arábica, com avanço de 5,1%, e o feijão, com alta estimada de 21,6%, sustentados pelo aumento da produção, apesar da expectativa de redução nos preços. Na pecuária, a estimativa é de receita de R$ 514,5 bilhões em 2026, queda anual de 2,6%.
A exceção entre os principais segmentos pecuários é a carne bovina, cujo VBP deve crescer 8,5%, mesmo com redução projetada de 1,45% na produção. Para os demais produtos pecuários, a entidade projeta retração no VBP em função da queda média de 14,5% nos preços, apesar da expectativa de aumento das quantidades produzidas em patamar inferior a 2%. As estimativas apontam recuo de 16,3% no VBP do leite, de 17,7% na carne suína, de 11,2% na carne de frango e de 6% nos ovos. O Valor Bruto da Produção representa o faturamento bruto dentro dos estabelecimentos rurais, considerando as atividades agrícolas e pecuárias com base nos preços médios reais recebidos pelos produtores brasileiros. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.