26/May/2026
O programa Eco Invest colabora com uma série de esforços do governo para que o Brasil recupere o chamado "grau de investimento", o selo de bom devedor atribuído pelas agências de classificação de risco, afirmou o secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron. Os comentários foram feitos após o lançamento do 5º Leilão do Eco Invest Brasil, em São Paulo. Segundo o secretário, o programa reproduz "na veia" o conceito da "destruição criativa", formulado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter, segundo o qual a inovação constante cria novos produtos e modelos de negócios e, ao mesmo tempo, torna obsoletas tecnologias e empresas antigas. Segue a entrevista.
O Eco Invest se integra ao esforço do Brasil para recuperar o grau de investimento, sobre o qual o senhor tem falado?
Rogério Ceron: O Eco Invest, especialmente estes últimos leilões, contribui, sim, para aprofundar a integração do Brasil com o mundo. Isso influencia a forma como o País é percebido e o torna mais resiliente.
Essa resiliência é algo que as agências de classificação de risco levam em conta?
Rogério Ceron: O Eco Invest aumenta a integração do Brasil com o mundo e isso afeta, de alguma maneira, como as agências avaliam o País. Quanto mais nos integramos, melhor somos vistos. Sem dúvida, o programa é moderno e inovador e posiciona o Brasil de forma muito positiva para fins de classificação de risco.
O Eco Invest parece se encaixar no conceito de "destruição criativa"...
Rogério Ceron: É Schumpeter na veia.
Mas esse conceito implica, inclusive, a saída de empresas e modelos obsoletos. Como o empresariado tem visto isso?
Rogério Ceron: Esse é o motor da economia capitalista: a inovação. A destruição criativa está no Eco Invest e é condição para abrir novos mercados. Bioprodutos, biofertilizantes, etc., agregam valor e colocam o País em outro patamar de competitividade. Hoje o mundo não olha apenas preço. Olha também sustentabilidade e, mais do que nunca, resiliência e segurança na decisão de onde alocar a produção.
Como o governo está comunicando essa proposta?
Rogério Ceron: Isso faz muita diferença. O sinal que estamos emitindo é que, de forma moderna e inovadora, vamos oferecer segurança para que esse segmento floresça no Brasil. É relevante o mundo olhar para o Brasil e ver que pode trazer empresas de base e soluções tecnológicas com apoio e previsibilidade. Que pode trazer equipes de pesquisa e empreendedores, porque nós vamos apoiar. Para o mercado doméstico, é a mesma lógica.
Detalhe isso, por favor.
Rogério Ceron: Vamos apoiar universidades e o empreendedorismo de base tecnológica para que nossos jovens produzam tecnologia e inovação. Mas não queremos que isso ocorra de forma isolada. Vamos fazer isso em integração com as melhores universidades do mundo, acelerando o catch-up tecnológico do Brasil. Acreditamos que isso é o que há de mais moderno hoje - e é difícil encontrar algo semelhante.
As empresas têm recebido bem essa proposta de inovação e substituição?
Rogério Ceron: Isso pode ser confirmado com os principais agentes do mercado. Temos dialogado e ouvido muito. Eu e toda a equipe nos reunimos com empresas, setores e instituições financeiras para entender as necessidades e avaliar como ajudar empresas, bancos e investidores, inclusive de fora do País, a construir algo que funcione bem. O sucesso do Eco Invest é fruto de uma política pública construída em cooperação com o setor privado, com participação desde a concepção das soluções até o aperfeiçoamento do programa. É uma curva de aprendizado bem-sucedida, baseada em muito diálogo.
Fonte: Broadcast Agro.