25/May/2026
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu o aumento da inadimplência no agronegócio brasileiro, mas avaliou que o setor segue sólido e não deve ser tratado como um segmento em situação generalizada de crise. Segundo o ministro, a inadimplência histórica do agronegócio girava em torno de 2% e atualmente está próxima de 6%, indicando deterioração relevante, embora 94% das operações do setor permaneçam adimplentes. O avanço das safras nos últimos anos contribuiu para sustentar o desempenho do agronegócio, considerado pelo governo como uma das principais forças econômicas do País. Nesse contexto, defendeu que eventuais medidas de renegociação de dívidas sejam direcionadas apenas aos produtores efetivamente inadimplentes, evitando ampliação excessiva do escopo do projeto em discussão no Congresso Nacional.
O ministro destacou que a proposta não deve contemplar toda e qualquer dívida agrícola, incluindo operações adimplentes ou produtores sem necessidade de renegociação. Segundo a avaliação da equipe econômica, uma abrangência excessiva poderia elevar custos ao sistema financeiro e gerar restrição de crédito ao próprio setor agropecuário. O Ministério da Fazenda também demonstrou preocupação com propostas de limitação ampla das taxas de juros para operações do agronegócio. A avaliação é de que tetos generalizados poderiam reduzir a oferta de crédito rural e comprometer o financiamento da atividade agropecuária. Durigan sinalizou disposição para negociar uma solução pactuada com o Congresso Nacional, incluindo extensão de prazos, alterações no manual de crédito agrícola e ajustes em períodos de carência. No entanto, reiterou que o projeto precisa preservar o equilíbrio do sistema financeiro e evitar impactos negativos sobre o acesso ao crédito no médio e longo prazo.
O ministro defendeu ainda a reconstrução do texto em tramitação no Senado, buscando uma solução considerada mais efetiva para o setor. Segundo ele, o objetivo é construir medidas que gerem resultados concretos para o agronegócio sem ampliar excessivamente riscos fiscais ou financeiros. Na discussão sobre mecanismos de garantia, Durigan mencionou dificuldades enfrentadas principalmente por produtores arrendatários, que muitas vezes não possuem ativos suficientes para oferecer como garantia na contratação de crédito. O ministro indicou abertura para discutir um modelo de fundo garantidor inspirado em estruturas já existentes no mercado, mas ponderou que a situação fiscal do País limita a criação imediata de novos fundos públicos. A avaliação da Fazenda é de que um eventual fundo garantidor voltado ao agronegócio deve ser estruturado de forma sustentável, contribuindo para reduzir problemas de inadimplência e ampliar o acesso ao crédito rural. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.