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22/May/2026

Plano Safra 2026/27: governo busca reduzir juros

O governo federal trabalha com a meta de reduzir as taxas finais do crédito rural para níveis de um dígito no Plano Safra 2026/27, com foco prioritário em médios e grandes produtores rurais. A estratégia inclui também a ampliação do volume total de recursos ofertados, com expectativa de superar os R$ 516 bilhões disponibilizados no ciclo atual. A política agrícola em construção indica que a redução dos juros é considerada mais relevante do que a expansão nominal do crédito, diante do cenário de endividamento do setor, volatilidade de preços de commodities e aumento dos custos de produção, especialmente fertilizantes, influenciados por tensões geopolíticas e custos de financiamento elevados. No ciclo atual, as taxas praticadas para médios e grandes produtores variam entre 10% e 13,5% ao ano. A redução da taxa básica de juros no país é vista como um dos fatores que podem viabilizar a queda adicional do custo final ao produtor, embora o impacto fiscal da equalização de juros pelo Tesouro Nacional ainda esteja em avaliação, com tendência de aumento das despesas públicas em caso de cortes mais profundos.

O orçamento destinado à subvenção do crédito rural no Plano Safra 2025/26 alcança R$ 13,4 bilhões ao longo de sua execução, enquanto a previsão para 2026 é de R$ 18,9 bilhões, contemplando operações destinadas a pequenos, médios e grandes produtores. A elevação desses custos reflete a necessidade de compensação entre taxa de captação dos bancos, spread financeiro e juros finais ao tomador. O ambiente do agronegócio é caracterizado por maior pressão financeira, com combinação de endividamento crescente, variação de preços de commodities, eventos climáticos adversos e restrições externas associadas a conflitos internacionais. Nesse contexto, também está em discussão a renegociação de dívidas rurais acumuladas desde 2012, com propostas de alongamento de prazos e redução de encargos financeiros.

O desenho do novo Plano Safra segue em elaboração com participação de diferentes áreas do governo e previsão de anúncio até o início de julho. Entre as diretrizes adicionais em análise estão o fortalecimento do seguro rural e a ampliação de mecanismos de garantia para operações de crédito, com objetivo de reduzir riscos e ampliar a previsibilidade do financiamento da produção. Paralelamente, o governo avalia que o aumento da abertura de mercados internacionais, com mais de 600 novas habilitações recentes para produtos agropecuários brasileiros, contribui para sustentar o crescimento do setor, mesmo em um ambiente global marcado por incertezas comerciais e geopolíticas. O cenário geral aponta para uma política agrícola voltada à redução do custo financeiro do crédito, manutenção da oferta de recursos e fortalecimento de instrumentos de mitigação de risco, com foco na estabilidade da renda do produtor rural e na competitividade do agronegócio brasileiro. Fonte: Globo Rural. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.