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22/May/2026

Brasil: geopolítica é risco para logística e insumos

O Instituto Internacional de Finanças (IIF) avaliou que o Brasil permanece entre os mercados emergentes relativamente mais bem posicionados no atual ambiente de seletividade global de capitais, mas alertou para riscos relevantes associados ao choque geopolítico envolvendo energia, logística, fertilizantes e financiamento. Segundo o relatório Capital Flows, o atual cenário internacional deixou de afetar apenas os preços do petróleo e passou a pressionar diretamente cadeias globais de produção, transporte marítimo e fornecimento de insumos estratégicos.

O principal impacto macroeconômico decorre menos do nível absoluto do petróleo e mais do aperto gradual nas condições de produção e financiamento. O IIF considera como cenário-base uma normalização apenas parcial do choque geopolítico, sem reversão completa das pressões atuais, com redução lenta do prêmio de risco associado ao conflito no Oriente Médio. Entre os principais pontos de atenção para o Brasil está a dependência de fertilizantes nitrogenados importados do Oriente Médio. Aproximadamente um terço das importações brasileiras desse grupo de fertilizantes tem origem na região, elevando a exposição do agronegócio brasileiro a eventuais interrupções logísticas e restrições de oferta.

O relatório também destacou a exposição do milho brasileiro ao mercado iraniano. O Irã responde por cerca de 20% das exportações brasileiras do cereal, tornando determinados segmentos exportadores mais vulneráveis a perturbações comerciais e logísticas associadas ao conflito regional. Além dos riscos ligados ao comércio exterior e aos insumos agrícolas, a situação fiscal brasileira é um fator estrutural de vulnerabilidade. Embora receitas mais elevadas com petróleo possam aliviar parcialmente as contas públicas, o País ainda necessita de ajuste fiscal próximo de 3% do Produto Interno Bruto (PIB) para estabilização da dívida pública.

O relatório também indicou expectativa de condução cautelosa da política monetária brasileira no período pré-eleitoral, com possível flexibilização gradual dos juros. No indicador de vulnerabilidade elaborado pelo instituto, o Brasil aparece classificado com vulnerabilidade estrutural elevada e vulnerabilidade de mercado moderada. A vulnerabilidade estrutural mede a exposição prévia aos choques, enquanto a vulnerabilidade de mercado reflete o nível de estresse já percebido pelos investidores. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.