22/May/2026
Segundo avaliação do Instituto Internacional de Finanças (IIF) em seu relatório Capital Flows, a América Latina deve atravessar o atual cenário geopolítico internacional com maior resiliência em relação a outros mercados emergentes, favorecida pela combinação entre juros reais elevados, exposição a commodities e contas externas relativamente mais sólidas. O atual ambiente global é marcado por maior seletividade dos investidores internacionais, com direcionamento de recursos para economias com reservas robustas, políticas macroeconômicas consideradas críveis e menor exposição a riscos energéticos e de refinanciamento.
Nesse contexto, a América Latina aparece em posição relativamente favorável, beneficiada pelo elevado diferencial de juros e pela relevância das commodities em suas balanças comerciais. O IIF também destacou que o atual momento não caracteriza uma crise tradicional de balanço de pagamentos, permitindo diferenciação mais clara entre os países emergentes. O Brasil foi apontado como um dos principais destaques regionais. Segundo o relatório, o Real segue sustentado por juros reais elevados e por um perfil externo considerado mais forte.
O País tende a absorver de forma relativamente positiva os efeitos indiretos da crise envolvendo o Irã, devido à posição de exportador líquido de energia. Uma elevação de US$ 10,00 por barril no petróleo poderia adicionar cerca de US$ 4 bilhões às receitas líquidas brasileiras, equivalente a aproximadamente 0,2% do Produto Interno Bruto (PIB), contribuindo para redução do déficit em conta corrente para 2,4% do PIB em 2026. O relatório também apontou melhora recente no fluxo de capitais direcionados ao Brasil. As entradas de capital alcançaram 5,2% do PIB em 2025, acima dos 3,9% registrados em 2024.
O movimento foi associado à manutenção da atividade econômica em ambiente de juros reais elevados. O cenário macroeconômico deve continuar sustentando fluxos para ações e estabilizando os investimentos em dívida entre 2026 e 2027, contribuindo para suporte ao Real. Para o Brasil, o IIF projeta crescimento de 2,0% do PIB em 2026 e de 2,2% em 2027. Para a América Latina, a estimativa é de expansão de 1,9% em 2026 e de 2,2% em 2027. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.