ANÁLISES

AGRO


SOJA


MILHO


ARROZ


ALGODÃO


TRIGO


FEIJÃO


CANA


CAFÉ


CARNES


FLV


INSUMOS

21/May/2026

Plano Safra 2025/2026: crédito sustentável recua

O crédito rural com potencial de promover ganhos de sustentabilidade na agropecuária somou R$ 46 bilhões entre julho de 2025 e março de 2026, considerando os três primeiros trimestres do Plano Safra 2025/26. O volume representa retração de quase R$ 8,2 bilhões frente ao mesmo período da safra anterior, quando alcançou R$ 54,2 bilhões, segundo boletim trimestral Crédito Rural em Jornada de Sustentabilidade, divulgado pela Agroicone. O montante respondeu por 22,6% do total desembolsado nas linhas de custeio e investimento no período. O levantamento aponta recuperação em relação ao semestre anterior, mas ainda abaixo do observado na safra 2024/25, em um cenário marcado por juros elevados, maior custo do capital e crescimento do endividamento rural. A atual conjuntura macroeconômica segue limitando a capacidade de transição dos sistemas produtivos para modelos mais sustentáveis, especialmente em razão do encarecimento do crédito e da menor disposição dos produtores em ampliar investimentos.

No crédito total das finalidades de custeio e investimento, os recursos destinados a investimento caíram de R$ 79,02 bilhões para R$ 64,99 bilhões, retração de 17,7%. Dentro do recorte de operações com potencial sustentável, a queda foi mais intensa nas linhas de investimento, com recuo de 18,4%, enquanto o custeio apresentou redução de 12,5%. Por atividade, a agricultura registrou retração de 16,2% na contratação de crédito alinhado à sustentabilidade, enquanto a pecuária apresentou queda de 6,4%. Entre os Estados, os maiores volumes contratados concentraram-se no Rio Grande do Sul, com R$ 8,4 bilhões, seguido por Minas Gerais, com R$ 6,9 bilhões, Paraná, com R$ 4,6 bilhões, Mato Grosso, com R$ 3,8 bilhões, e São Paulo, com R$ 3,1 bilhões. Na divisão por fonte de recursos, os maiores volumes vieram dos recursos obrigatórios, com R$ 10,4 bilhões, da Letra de Crédito do Agronegócio (LCA) controlada com subvenção econômica, com R$ 10,1 bilhões, e do Fundo Constitucional do Nordeste (FNE), com R$ 4,4 bilhões.

Destaque para o avanço de 6.096% nas operações de LCA controlada com subvenção econômica em relação ao mesmo período da safra anterior. Em contrapartida, a LCA a taxa livre recuou 48,5% e o BNDES/Finame equalizável apresentou queda de 49,2%. No âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), as linhas com finalidade sustentável totalizaram R$ 2,3 bilhões nos nove primeiros meses da safra 2025/26, acima dos R$ 1,9 bilhão registrados no mesmo período anterior. A participação dessas operações dentro do crédito de investimento avançou 1,2%, para 9,1%, indicando menor impacto do cenário de juros sobre a agricultura familiar em razão da manutenção das taxas da safra passada. Em sentido oposto, programas classificados como sustentáveis, especialmente o RenovAgro, perderam participação relativa nas operações de investimento, refletindo maior dificuldade de acesso ao crédito em um ambiente financeiro mais restritivo.

O estudo também destaca a Resolução nº 5.268/2026 do Conselho Monetário Nacional (CMN), que estabelece exigências relacionadas à comprovação de regularidade ambiental e desmatamento para contratação de crédito rural. A implementação da medida foi adiada para janeiro de 2027 no caso de grandes propriedades, junho de 2027 para médias e janeiro de 2028 para pequenos produtores. Dados do Ministério do Meio Ambiente e Mudanças do Clima mostram que 99.941 imóveis rurais apresentam sobreposição com áreas de desmatamento, o equivalente a 20% dos cadastros acima de quatro módulos fiscais. Desse universo, aproximadamente 27 mil imóveis contrataram crédito rural entre as safras 2018/19 e 2025/26 até março deste ano. A adoção das novas regras tende a ampliar os mecanismos de diligência e monitoramento de critérios de sustentabilidade nas operações de crédito rural. Fonte: Broadcast Agro. Adaptado por Cogo Inteligência em Agronegócio.